sexta-feira, 7 de julho de 2017

"Paulo e Virgínia" de Bernadin Saint-Pierre


"A morte é um bem para todos os homens, é a noite do dia inquieto que se chama de vida! É no sono da morte que repousam para sempre as enfermidades, as dores, os pesares, os receios que agitam sem cessar os desgraçados viventes!" - Paulo e Virgínia



"Paulo e Virgínia" é um eterno clássico do Romantismo, escrito e publicado pelo francês Bernadin Saint-Pierre(1737-1814) há mais de 220 anos. A história do livro é bem simples e suave, assim como o modo como é contada: duas mulheres pobres, a senhora La Tour e Margarida viviam na pequena ilha de França(lugar distante de qualquer civilização); a primeira acabara de se tornar viúva e estava grávida, e a segunda acabara de ser enganada por um nobre que havia prometido se casar com ela, mas na verdade apenas a usou, engravidando-a, e fugindo logo após. As duas mulheres desgraçadas logo unem-se e tornam-se grandes amigas. Depois, nascem os seus filhos: Paulo(de Margarida) e Virgínia(da senhora La Tour). Os dois são criados juntos como irmãos desde que nasceram, e, à medida que vão crescendo, em momento algum se separam um do outro. A família então vive em plena felicidade e inundada de um amor terníssimo e puro. Porém, chega o dia em que eles recebem a notícia de que uma rica tia da senhora La Tour pretende deixar para ela toda a sua fortuna. A senhora La Tour não estando em condições de viajar para a França, manda a sua filha, Virgínia, que inicialmente recusa, mas depois acaba aceitando, ao pensar no futuro de sua família. Deste momento em diante, a melancolia viverá no coração de Virgínia, de Paulo e de suas mães.



"Paulo e Virgínia" é um romance sobre a beleza da vida simples e pura dos campos. Os protagonistas da obra são seres simplórios e ignorantes, ainda vivem na inocência, e por isto, são felizes; não conhecem os sentimentos ruins, e por isto, o que mais os apraz é fazer o bem e praticar o amor, um amor ocasionado pela simples vontade de amar, sem esperar nada em troca. A linguagem cândida e sentimentalista da obra assemelha-se ao romantismo de "Os sofrimentos do jovem Werther" de Goethe e "Graziela" de Lamartine, assim como o desfecho inevitavelmente trágico.

O romance apresenta ainda muitas críticas à sociedade burguesa do tempo e ao seu modo de vida fútil, corrompido pelo artificialismo. Deste modo, baseado nas ideias de Rousseau do "bom selvagem", Saint-Pierre desvela o contraste entre a vida simples, campestre (onde há a virtude e a verdadeira felicidade) e a vida luxuosa nas cidades grandes ( onde à felicidade sobrepõem-se o prazer frívolo e a hipocrisia).

"Paulo e Virgínia" foi escrito em 1787, embora o autor já planejasse escrevê-lo há tempos, pois ele realmente viveu um tempo(de 1768 a 1770) na Ilha de França, lugar onde se passa a história; por isto as ricas descrições da natureza que há em todo o livro. Ao ser publicado, em 1788, fez tanto sucesso que rapidamente foi publicado em dezenas de outros idiomas. Um romance super recomendado, apesar de hoje em dia não ter nem metade da fama que já teve outrora,

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