domingo, 9 de julho de 2017

"Carmilla, a Vampira de Karnstein", de Sheridan Le Fanu



"A infame existência do vampiro é sustentada pelo renovado sono diário na sepultura. Sua horrível luxúria por sangue vivo supre o vigor da sua existência acordada. O vampiro é propenso a ficar fascinado com uma absorvente veemência, lembrando a paixão do amor, especialmente por pessoas." - Carmilla


por Renan Caíque

Em tempos de "Crepúsculo", infelizmente, a maioria das pessoas, principalmente jovens, esquecem-se ou sequer conhecem as clássicas obras do vampirismo, nos séculos XVIII e XIX, como "A noiva de Corinto"(1797) de Wolfgang von Goethe, "Christabel"(1798) de Samuel Taylor Coleridge, "O Vampiro"(1819) de John William Polidori, "Varney, o Vampiro"(1840) de James Malcolm Rymer, "Drácula"(1897) de Bram Stoker, e claro, "Carmilla" de Sheridan Le Fanu.
   
"Carmilla, a Vampira de Karnstein", publicado originalmente em forma de folhetim, de 1871 a 1872, por Sheridan Le Fanu (1814-1873), é uma novela de caráter gótico e de influência romântica; foi a primeira obra a ter uma vampira como personagem principal. Conta a história de uma jovem solitária chamada Laura, que vive apenas com o seu pai e duas governantas em um imenso e velho castelo, na Estíria(lugar localizado na Áustria). Certa noite, enquanto passeavam juntos, Laura e seu pai, ocorre um pequeno acidente próximo a eles, onde uma carruagem com pessoas por eles desconhecidas, tomba. Uma jovem é retirada da carruagem aparentemente sem vida ao mesmo tempo que uma senhora sai de lá dentro fitando a jovem com preocupação. O pai de Laura logo consta que a jovem desmaiada ainda tem vida, e oferece ajuda à senhora. Após muito hesitar, a dama aceita a ajuda dizendo que tem uma longa viagem de vida ou morte a fazer, e que regressará dali há três meses, então fica combinado que Laura e seu pai, teriam a jovem como hóspede durante este tempo. A bela e misteriosa jovem se diz chamar Carmilla, porém não fala quase nada sobre quem é, o seu passado e a sua família; apesar disto, logo Laura e Carmilla tornam-se grandes amigas, e quanto mais íntimas se tornam, mais mistérios começam a acontecer no lúgubre castelo.


   
Alguns elementos sempre presentes na novela de Le Fanu são o suspense sombrio, o ambiente gótico(castelos e igrejas medievais, ruínas, vilas abandonadas, clima noturno, lugares escuros e misteriosos, etc) e às vezes o sentimentalismo ultrarromântico. Algo também a se destacar, é o erotismo subjacente e o suposto lesbianismo de Carmilla, que ataca apenas a mulheres, e quase em todo o livro demonstra-se fascinada e até obsessiva por suas vítimas.
"Carmilla" influenciou toda a literatura vampírica que se seguiu após o seu lançamento, sendo inclusive a principal fonte de inspiração para o clássico "Drácula" de Bram Stoker (a obra de vampiros mais conhecida e influente da história). Este é um livro encantador, apesar de bem curto, que não é só uma história de vampiros, é um ensaio sobre a solidão e as relações humanas, e as impressões ingênuas da vida e dos sentimentos da jovem narradora Laura.


Cena do filme "Carmilla, a Vampira de Karnstein" de 1970

Foi o livro de vampiros mais adaptado para o cinema depois de "Drácula". Eis algumas adaptações: "O Vampiro"(1932) de Carl Theodor Dryer, "Rosas de Sangue"(1960) de Roger Vadim, "O túmulo do horror"(1964) de Camilo Mastrocinque, "Carmilla, a Vampira de Karnstein"(1970) de Roy Ward Baker, "As filhas de Dráculo"(1971) de John Hough, "Luxúria de Vampiros"(1972) de Jimmy Sangster "A Noiva Ensanguentada"(1972) de Vicente Aranda, "Alucarda"(1977) de Juan López Moctezuma, "Carmilla"(1980) de Janusz Kondratiuk, "Carmilla"(1989) de Gabrielle Beaumont, "Styria"(2014) de Mark Devendorf  e Mauricio Chernovetzky, "The Unwanted"(2015) de Bret Wood.

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