terça-feira, 11 de julho de 2017

60 filmes para quem ama Rock e Metal


por Renan Caíque

Há muitos filmes que são especialmente de Rock, outros apenas contém uma trilha sonora deste estilo. Esta matéria mostrará os vários filmes que tratam do tema, alguns que são verdadeiras e maravilhosas homenagens e outros que apenas flertam com o Rock e o Metal, alguns bem conhecidos outros menos. Eis 60 destes filmes. Prepare a pipoca e boa leitura:



60 - Heavy Metal: Universo em fantasia (1981)

O clássico "Heavy Metal" é composto de histórias baseadas nas revistas adultas em quadrinhos de ficção científica e fantasia de mesmo nome. Apesar de não ser um filme sobre rock ou metal, é célebre entre os fãs do estilo pela memorável trilha sonora composta por Black Sabbath,  Blue Öyster Cult, Journey, Nazareth, Grand Funk Railroad, Devo, Sammy Hagar, Cheap Trick, etc.

59 - Heavy Metal 2000(2000)

"Heavy Metal 2000" é a continuação da animação anteriormente comentada. Também baseado nos quadrinhos, conta com trilha sonora de Pantera, System of a Down, Billy Idol, Queens of the Stone Age, Bauhaus, Machine Head, entre outras.

58 - The Rocky Horror Picture Show(1975)

No musical "The Rocky Horror Picture Show", um casal após ter problema com o carro, acaba parando em um misterioso castelo no meio do nada para pedir ajuda, e lá se deparam com muitas situações bizarras.

57 - Aconteceu em Woodstock(2009)

"Taking Woodstock" nos faz voltar a 1969, ano em que ocorreu o mais célebre festival de Rock de todos os tempos. Baseado no livro auto-biográfico "Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Life" de Elliot Tiber, conta como ele conseguiu levar o Woodstock para a pequena cidade de White Lake, no interior de Nova York.

56 - Os Reis do Iê Iê Iê(1964)

"A Hard Day's Night" foi o primeiro filme dos Beatles, e simplesmente mostra um dia da rotina do quarteto de Liverpool, no auge de seu sucesso. Concorreu a dois oscars e acabou se tornando um clássico do cinema. É uma comédia tipicamente inglesa filmada em preto em branco, e em forma de documentário fictício.

55 - Somos tão jovens(2013)

"Somos tão jovens" nos mostra o jovem idealista Renato Russo, que na música começou com o Aborto Elétrico e depois no Legião Urbana, que se tornou um dos maiores nomes do rock nacional de todos os tempos, encantando diversas gerações.

54 - Cazuza: O tempo não para(2004)

 "Cazuza: O tempo não para" conta a história de Cazuza, desde o início da carreira, em 1981, até sua morte em 1990, aos 32 anos, mostrando o seu sucesso com o Barão Vermelho e a carreira solo, com suas letras que se tornaram a voz de uma geração.

53 - Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal(2005)

O documentário "Metal: A Headbanger's Journey" mostra o antropólogo canadense Sam Dunn, que se tornou um fã de heavy metal aos 12 anos. Ele viaja através do mundo para obter várias opiniões sobre o Metal, incluindo suas origens, cultura, controvérsias e razões pelas quais ele é amado por tantas pessoas. Contém entrevistas com astros do rock e do metal como Dio (Black Sabbath, Rainbow), Tom Araya e Kerry King (Slayer), Tony Iommi (Black Sabbath), Alice Cooper, Bruce Dickinson (Iron Maiden), Angela Gossow (Arch Enemy), Tom Morello (Rage Against the Machine), Vince Neil (Mötley Crüe), Lemmy Kismister(Motörhead), Geddy Lee (Rush), Doro Pesch, Dee Snider (Twister Sister), Rob Zombie (White Zombie) e muito mais. Na trilha sonora: Iron Maiden, Accept, Blue Cheer, Arch Enemy, Dio, Diamond Head, Motörhead, Rush, Sepultura, Slayer, Van Halen, Venom, Twisted Sister, Mötley Crüe, Metallica, Girlschool, Canibal Corpse, entre outros.



52 - Global Metal(2008)

"Global Metal" é um documentário, continuação de "Metal: A Headbanger's Journey". Mostra o impacto da globalização com o heavy metal e a influência do estilo em diferentes países e culturas pelo mundo. Contém entrevistas com vários músicos e fãs do estilo, novamente. Na trilha sonora: Iron Maiden, Scorpions, Kiss, Deep Purple, Motörhead, Sepultura, Slayer, In Flames, X Japan, Metallica, Marty Friedman, Lamb of God, Sigh entre outros.

51 - Kiss contra o fantasma do parque(1978)

"Kiss Meets The Phantom of The Park" é baseado nas revistas em quadrinhos "Kiss" da Marvel, e nos mostra os integrantes clássicos do Kiss, Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss, cada um com um super poder, que se unem para combater o louco cientista Abner, que descobriu uma maneira de clonar humanos. Curiosamente, os membros do Kiss que participaram do filme se lamentam e se arrependem profundamente por terem participado.


50 - Little Nicky: Um Diabo Diferente (2000)

Em "Little Nicky", comédia com Adam Sandler no papel principal, Nicky é um jovem fã de Heavy Metal e é o filho do Diabo. Porém, ele é bom e seu objetivo é impedir seus dois irmãos, que intencionam roubar o trono do pai para fazer um verdadeiro inferno na Terra. Participações especiais de Ozzy Osbourne e Quentin Tarantino, e trilha sonora com AC/DC, Van Halen, Ozzy, Disturbed, Deftones, Scorpions, Dave Grohl, Muse, P.O.D., Johnny Cash, etc.




49 - Bill & Ted - Uma Aventura Fantástica (1989)

Em "Bill & Ted's Excellent Adventure", Bill e Ted são dois fãs de Rock que tem uma banda. Certo dia eles conhecem o misterioso Rufus, que é um emissário do futuro. No tempo de Rufus, a música dos dois amigos é o que mantém a existência e se a banda deles for banida, o mundo de Rufus pode perecer. Trilha sonora com Shark Island, Extreme, Power Tool, Big Pig, Robbie Rob, Tora Tora, Toxic Tunes, Vital Signs, Rori, etc.


48 - Bill & Ted - Dois Loucos no Tempo (1991)

Em "Bill & Ted's Bogus Journey", uma criatura do mal planeja criar uma nova ordem e para tal é necessário aniquilar os roqueiros Bill e Ted. Eles morrem e são substituídos por dois robôs idênticos a eles. Mas os verdadeiros Bill e Ted ainda vão lutar para tentar vencer a Morte, passando pelo Inferno e o Paraíso, e ainda participar de um concurso de bandas. Trilha sonora com Megadeth, Slaughter, Faith no more, Steve Vai, Kiss, Ritchie Kotzen, Winger, Primus, etc.


47 - CBGB - O berço do Punk Rock (2013)

"CBGB" conta a história real do conhecido clube nova-iorquino de Hilly Kristal que exigia que as bandas que lá tocavam, executassem apenas músicas próprias, e que acabou se tornando o berço de várias bandas, algumas bem renomadas, principalmente de punk. Trilha sonora com New York Dolls, The Police, Joey Ramone, The Heartbreakers, The Stooges, The Velvet Undeground, MC5, Talking Heads, Blondie, Dead Boys, etc


46 - C.R.A.Z.Y. - Loucos por amor(2005)

"Coming of age" nos mostra Zachary, nascido nos anos 60, é o 4º entre 5 irmãos, todos meninos. Sua infância e adolescência são difíceis por ele perceber a descoberta de uma sexualidade diferente do "comum" e sua tentativa de reprimir o que sente para não decepcionar a conservadora família, principalmente o pai. Na trilha sonora David Bowie, Elvis Presley, Jefferson Airplane, Pink Floyd, Rolling Stones, The Cure e The Stories.


45 - Elvis Presley: O início de uma lenda (2005)

"Elvis" conta a conturbada vida da lenda Elvis Presley, desde sua humilde origem até sua ascensão titânica, seus problemas com drogas, relacionamentos e sua personalidade difícil e única. Uma belíssima cinebiografia para conhecer um pouco do rei do Rock and Roll.


44 - A Fera do Rock (1989)

"Great Balls of Fire!" é uma biografia do cantor de rock Jerry Lee Lewis. Mostra sua grande fama e reconhecimento nos anos 50 e também seu envolvimento com Myra Gale Lewis, com quem se casou quando ela tinha apenas 13 anos e a decadência em sua carreira e vida pessoal devido a este fato.


43 - Hair (1979)

"Hair" é um belíssimo musical bem ao estilo do Glam Rock setentista e um produto da contracultura hippie e da revolução sexual dos anos 60. Drogas, pacifismo, amor, aversão aos comportamentos convencionais impostos pela sociedade compõem esta bela obra.


42 - Deathgasm (2015)

"Deathgasm" mostra a amizade de dois headbangers Zakk, que montam uma banda. Um dia eles acidentalmente acabam invocando forças do mal, e terão que enfrentar seres malignos. Um filme bem trash, com uma trilha sonora repleta de Metal underground, do heavy ao black: Skull Fist,  Bulletbelt, Emperor, Ihsahn, Axeslasher, Goatesque, Midnight, Pathology, Elm Street, etc.



41 - Meu pecado favorito (2003)

"Prey For Rock and Roll" é um filme baseado na vida de Cheri Lovedog, que era vocalista de uma banda de punk rock e lutou durante muito tempo em vão para atingir o sucesso. É um drama que gira em torno do lugar-comum "sexo, drogas e rock 'n' roll", mas que também trata de assuntos mais sérios. Está longe de ser uma obra-prima, mas é um filme interessante pra quem gosta do estilo assistir, nem que seja só por curiosidade.


40 - Dois loucos na noite (1993)

"The Stoned Age" é simplesmente sobre Joe e Hubbs, um par de headbangers em busca de diversão, numa noite qualquer. Este é o conto de suas aventuras, que envolve o clássico "sexo, drogas e rock 'n' roll".  É um filme meio bobo, mas engraçado, bem do estilo do clássico "Dazed and Confuzed", aliás na capa do filme consta a  inscrição: "Melhor que Dazed and Confused". A trilha sonora é uma das melhores que já conheci, com Black Sabbath, Blue Öyster Cult, Ted Nugent, Deep Purple, Focus, Montrose, Foghat, T.Rex, entre outros.


39 - O pior trabalho do mundo (2010)

Em "Get Him to the Greek", um jovem se torna segurança do astro do rock Aldous Snow é um renomado músico de temperamento forte e que leva a vida regrada a alcoolismo e festas. A maior parte da trilha sonora foi feita para o filme, mas também tem Sex Pistols, The Clash, T. Rex, The Rolling Stones, New York Dolls, Ramones, etc, e participações de Lars Ulrich do Metallica e Dee Snider do Twisted Sister.


38 - O roqueiro (2008)

"The Rocker" mostra o baterista Fish, 20 anos após ser chutado da banda Vesuvius, de Glam Metal nos anos 80. Depois de muito tempo parado ele tentar à música e começa a tocar com o seu sobrinho. Na trilha sonora Cinderella, Foreigner, Europe, Poison, além de várias músicas feitas apenas para o filme.


37 - Hedwig: Rock, Amor e Traição (2001)

Em "Hedwig and the Angry Inch", Hedwig é uma cantora de rock transsexual, que passa por muitos dissabores, mas também belos momentos. Esta é uma belíssima obra que mistura comédia, romance e drama, e conta com uma história no fundo bem profunda e comovente e uma belíssima trilha sonora composta apenas para o filme.

36 - Controle: A história de Ian Curtis (2007)

"Control" mostra os últimos anos da vida de Ian Curtis, vocalista da lendária banda inglesa Joy Division, que suicidou em 18 de maio de 1980, aos 23 anos. Uma obra poética, melancólica e sombria, que foca na personalidade excêntrica do artista retratado.



35 - A Rosa (1979)

"The Rose" é uma história de comédia e drama livremente baseada na vida de Janis Joplin. A trilha sonora foi toda feita para o filme, na fantástica voz de Bette Midler.


34 - The Wonders - O Sonho Não Acabou (1996)

Em "That Thing You Do!" é 1964, tempo de auge dos Beatles. Em uma pequena cidade da Pensilvânia, EUA, surge os Wonders, banda fictícia que segue a mesma linha musical do quarteto de Liverpool, e que aos poucos também vai chegando à fama. Trilha sonora composta para o filme.


33 - Sid e Nancy - O amor mata (1987)

"Sid and Nancy", uma bela produção com atuações excelentes, conta a trágica história de amor até a morte, do músico Sid Vicious, integrante do Sex Pistols, e Nancy, dois viciados em heroína, que eram perfeitos arquétipos da geração punk da década de 1970.


32 - Magia Negra no Rock (1991)

Em "Shock em' Dead", Martin faz um pacto com o diabo para se transformar numa grande estrela do Hard Rock. Ele se torna um guitarrista excepcional e tem tudo o que quer, porém terá que pagar um certo preço. Este é um filme de "terror trash" com trilha sonora fantástica, com participação do monstro da guitarra Michael Angelo Batio. Curiosamente o roteiro foi escrito em apenas três semanas e filmado em seis.







31 - Johnny & June (2005)

"Walk the Line" conta a trágica história do lendário cantor Johnny Cash, e seu amor pela também cantora June Carter. Simplesmente um dos melhores filmes já feitos, belíssimo, com atuações impecáveis e trilha sonora maravilhosa.


30 - Jovens, Loucos e Rebeldes (1993)

"Dazed and Confused" se passa em 1976, e (que surpresa!) mostra jovens à procura de bagunça, sexo, drogas e na trilha sonora tem muito Rock 'n' Roll das antigas como Alice Cooper, Nazareth, Aerosmith, ZZ Top, Black Sabbath, Deep Purple, Lynyrd Skynyrd, Kiss, Peter Frampton e muito mais. Curiosamente, o cultuado diretor Quentin Tarantino o incluiu em sua lista de dez melhores filmes de todos os tempos.


29 - Quanto mais idiota melhor (1992)

"Wayne's World" é uma engraçadíssima comédia com participações de Meat Loaf e Alice Cooper. Mostar Wayne e Garth, dois jovens fãs de Heavy Metal que apresentam um pequeno programa independente, e recebem proposta de um contrato para uma grande rede de televisão. Na trilha sonora, Queen, Cinderella, Jimi Hendrix, Black Sabbath, Alice Cooper, Eric Clapton, Soundgarden, Ugly Kid Joe, entre outros.



28 - Quanto mais idiota melhor 2 (1993)

"Wayne's World 2" é a continuação do filme comentado anteriormente; e dessa vez traz participação do Aerosmith. Wayne conversa com Jim Morrison em sonho, que o diz para organizar um concerto de Rock. Então Wayne e Garth providenciam o 'Waynestock'. Na trilha sonora, Robert Plant, Aerosmith, Bad Company, Joan Jett & the Blackhearts, entre outros. Uma comédia trash e engraçadíssima como o primeiro.

27 - Tommy (1975)

A famosa ópera rock do The Who "Tommy" é uma obra-prima artística para ser vista e revista. Nos mostra a criança cega, surda e muda(devido a problemas psicológicos) que se torna um campeão de pinball e, mais tarde, ídolo pop. Trilha sonora incrível, e participações de Elton John, Tina Turner, Arthur Brown e Eric Clapton.


26 - O garoto de Liverpool (2009)

"Nowhere Boy" é um filme de drama emocionante baseado na vida do jovem idealista John Lennon, que sonhava em ser como o rei Elvis Presley,  e acabou se tornando um dos maiores astros da história da música.

25 - Os cabeças de vento (1994)

Em "Airheads", três fãs de Metal que tem uma banda invadem a rádio KPPX, especializada em rock, com armas de brinquedo e obrigam o DJ a tocar sua fita demo, causando grande confusão. Uma comédia muito bacana tanto pra quem curte quanto pra quem não curte Rock. Conta com participações do White Zombie e de Lemmy Kilmister, e trilha sonora de Motörhead, Ramones, Anthrax, Candlebox, 4 Non Blondes, etc.


24 - Black Roses: a banda maldita (1988)

"Black Roses" é o nome de um conjunto de Hard Rock que tem show marcado numa pequena cidade. Os pais se preocupam com a "música satânica" do grupo, enquanto os jovens ficam empolgados pela grande atração, e mais tarde realmente os músicos demonstram ser demônios. É incrível como um filme tão ruim consegue ser tão maravilhoso! Isto mesmo; pois apesar dos efeitos e maquiagens toscas e a história boba; o filme tem diálogos inteligentes que provocam reflexão e uma trilha sonora impecável, quase toda feita por membros da banda de Hard Rock King Kobra, além de Lizzy Borden, Tempest, Bango Tango, David Michael-Phillips e Hallow's Eve. Filme bem do estilo de "Heavy Metal do terror"; recomendado principalmente para fãs de Hard/Glam oitentista.



23 - A Encruzilhada (1986)

"Crossroads" fala sobre um jovem e talentoso guitarrista à procura de fama e fortuna e assim junta-se a um experiente músico de blues, que o ensinará algumas lições sobre música e sobre a vida. Maravilhosa a participação de Steve Vai no filme, em épico duelo de guitarra. Muito bom!


22 - A história de Little Richard (2000)

"Little Richard" mostra a vida de Little Richard, o lendário cantor dos anos 50. A trama mostra desde sua infância pobre, passando pelo meteórico sucesso do músico até o seu retorno depois de deixar o rock para se tornar um pastor. Filme muito bonito, além de engraçado e comovente.


21 - Não estou lá (2007)

"I'm Not There", fala sobre o poeta e músico Bob Dylan(interpretado por vários atores distintos: Christian Bale, Cate Blanchett, Heath Ledger, Marcus Carl Franklin, Richard Gere e Ben Whishaw), porta-voz de uma geração e ícone da contracultura nos anos 60. Um filme com atuações fantásticas, trilha sonora lindíssima e de uma beleza poética inigualável. Mais que recomendado!



20 - A era do Rock (2004)

No filme "Pop Rocks", uma banda de Hard Rock chamada Rock Toxin, após fazer muito sucesso, acaba se dissolvendo, em 1982. Vinte anos depois, o vocalista tem um emprego monótono e enfrenta problemas como pai. Mas um velho amigo lhe dará a chance de voltar à cena e reviver a antiga banda. A trilha sonora conta com muito Hard como Foreigner e Kiss, além de músicas originais. É um filme de comédia bem divertido e leve. O único problema é que este filme é difícílimo de ser encontrado pra baixar ou comprar, simplesmente não se acha em lugar nenhum. Tive a sorte de assistir no sbt quando passou, muitos anos atrás. Então, se alguém souber onde encontrá-lo, favor colocar nos comentários.


19 - Os Piratas do Rock (2009)

"The Boat That Rocked", se passa em 1966. DJs dentro de um grande navio fazem algo inédito, montam uma rádio pirta que toca rock 24 horas por dia. A trilha sonora é composta de vários clássicos do rock sessentista, incluindo artistas e bandas como The Kinks, The Beach Boys, The Who, Jimi Hendrix, Procol Harum, David Bowie, Cat Stevens, Cream, Jeff Beck, Moody Blues, etc. É um bom filme: engraçado, ao mesmo tempo emocionante e com muita música boa, pra quem curte rock sessentista.


18 - Isto é Spinal Tap (1984)

"This Is Spinal Tap" é um documentário sobre a banda fictícia Spinal Tap, que satiriza o comportamento e as ambições musicais das bandas de hard rock e heavy metal dos anos 80. A trilha sonora é toda original. Uma verdadeira obra-prima essencial para fãs de Heavy Metal. Curiosamente, numa entrevista de 1997 dada à revista Spin pelo guitarrista Brad Whitford, do Aerosmith, ele disse: "da primeira vez que Steven Tyler viu o filme, ele não achou graça. Para que você veja quão próximo aquilo era. Ele ficou chateado! Para ele, aquilo não tinha graça nenhuma!"



17 - Vida de Solteiro (1992)

"Singles" é um filme de Cameron Crowe(o mesmo cara que fez "Quase Famosos"). Se passa em Seattle, início dos anos 90, no auge do Grunge. Várias histórias paralelas sobre jovens se descobrindo na vida profissional e amorosa. Um filme de amor e de rock, principalmente pra quem curte Grunge, com trilha de nomes como Alice In Chains, Pearl Jam, Chris Cornell, Soundgarden, Jimi Hendrix e Smashing Pumpkins.


16 - Hysteria - A história do Def Leppard (2001)

"Hysteria -The Def Leppard Story" mostra a história real do grupo inglês de Heavy Metal Def Leppard, que começou fazendo parte da NWOBHM(New Wave of British Heavy Metal) e depois de tornou  o som mais comercial devido ao enorme sucesso alcançado. Mostra os problemas com drogas e álcool de alguns integrantes e o acidente sofrido pelo baterista Rick Allen, que acabou perdendo um braço. Belíssimo e dramático! Recomendado a não só fãs da banda.


15 - Pink Floyd: The Wall (1982)

A história de "The Wall" é contada através com a música do Pink Floyd. É sobre Pink, um típico astro do rock que se parece com Syd Barret, numa misteriosa viagem interior(interpretado pelo músico Bob Geldof). Roger Waters faz uma pequena participação como convidado do casamento de Pink em "Mother". Uma obra psicodélica, filosófica e poética, repleta de metáforas, e ao som de uma das maiores e mais profundas lendas do Rock.



14 - The Runaways: Garotas do Rock (2010)

"The Runaways" é um filme de drama que conta a história da banda de rock da década de 1970 de mesmo nome. O roteiro foi adaptado do livro Neon Angel: A Memoir of a Runaway, escrito pela vocalista original da banda Cherie Currie. Um belo filme com muitas tragédias e alegrias, ao som do The Runaways.

13 - Ainda muito loucos(1998)

"Still Crazy" nos mostra 20 anos depois da banda de Hard Rock Strange Fruit ter sido desfeita, como estão os antigos músicos agora e a ideia de se reunirem e voltarem a tocar. Na trilha sonora, várias músicas excelentes criadas para a banda fictícia do filme, com destaque a música "The flame still burns", principalmente no final emocionante. Um filme muito bonito e divertido para amantes de Rock.


12 - Pé na Estrada - Bandwagon (1996)

Em "Bandwagon", o baterista Charlie forma a banda Circus Monkey e procura ascensão. Os integrantes se dispõem a tocar em qualquer lugar para serem reconhecidos. A trilha sonora é toda original.


11 - Heavy Metal do horror(ou O Rock do Dia das Bruxas) (1986):

"Trick or Treat" é um clássico filme trash oitentista; traz participações de Ozzy Osbourne e Gene Simmons, e a trilha sonora foi feita pela banda de Hard Rock Fastway. Conta a história de um jovem fã de Heavy Metal que sofre bullying na escola. Mas coisas estranhas e até surreais começam a acontecer e mudam a sua vida completamente.


10 - Rock of Ages: o filme (2012):

"Rock of Ages" é um filme de comédia/musical, adaptado da peça de mesmo nome de Chris D'Arienzo, que fez bastante sucesso na broadway. É um filme para fãs de Glam/Hard Rock oitentista, principalmente. E embora seja uma boba história de amor clichê, vale pela trilha sonora magnífica que conta com Foreigner, Guns 'n' Roses, Skid Row, Quiet Riot, Bon Jovi, Twisted Sister, Poison, Whitesnake, Kiss, Def Leppard, Journey, Joan Jett, Warrant, Extreme, entre outros clássicos dos anos 80. Os protagonistas cantam muito e fizeram um trabalho encantador, principalmente o Diego. O Tom Cruise também se saiu bem com um vocal digno do Mötley Crüe e do Ratt. Legal também a pequena participação de Sebastian Bach.




9 - Escola de Rock (2003)

"School of Rock" é uma comédia protagonizada por Jack Black, do grupo Tenacious D. É um filme leve e divertido com uma história bacana e criativa, que homenageia ao rock e aos fãs do estilo. Na trilha sonora tem vários monstros do rock como The Who, The Doors, Led Zeppelin, AC/DC, Cream, Ramones, entre outros.


8 - Metalhead (2013)

"Metalhead" é um filme dramático sobre Metal, que trata do assunto de forma mais séria e filosófica. A personagem protagonista Hera Karlsdottir nasceu em 1970, ano em que o heavy metal foi criado pelo Black Sabbath. Após seu irmão mais velho morrer em um acidente, ela se sente culpada, e encontra força e consolo no Metal. A trilha sonora conta com bandas como Megadeth, Savatage, Judas Priest, Diamond Head e Lizzy Borden.

7 - Tenacious D - uma dupla infernal (2006)

Tenacious D in: The Pick of Destiny é um filme musical que conta a história de forma cômica e nonsense da banda de rock Tenacious D, formada pelos atores e músicos Jack Black e Kyle Gass. Tem a participação especial de Ronnie James Dio, Dave Grohl, Meat Loaf, Ben Stiller e Tim Robbins. Muito bom!




6 - The Doors - o filme (1991)

O filme "The Doors" de Oliver Stone, com atuação brilhante de Val Kilmer, é uma verdadeira obra-prima que conta a história da banda, mas que foca principalmente no psicológico do genial e excêntrico Jim Morisson, um dos maiores poetas do Rock


5 - Velvet Goldmine (1998)

Em "Velvet Goldmine" é 1971, e o glam rock está em ascensão na Inglaterra, trazendo inovações na música e escandalizando o conservadorismo da época, com as pessoas vestindo roupas consideradas estranhas, os homens se vestindo como mulheres e buscando uma maior liberdade sexual. É com certeza um dos mais belos filmes já feitos, não apenas sobre rock; devido à sua sensibilidade e à profundidade filosófica que exala em alguns momentos, ao som de uma trilha sonora mais que memorável. Enfim, se ainda não viu, assista, com a mente aberta esta lindíssima obra da sétima arte.

4 - Across the Universe (2007)

"Across the Universe" é um maravilhoso musical que se passa nos anos 60. É ao mesmo tempo divertido e sério, engraçado e comovente; é uma linda crítica à guerra e uma ode ao amor. A maioria das canções do filme são canções que já foram interpretadas pelos Beatles, porém cantados pelos próprios atores, que fizeram um trabalho excelente.


3 - Detroit: a cidade do Rock (1999)

"Detroit Rock City" é uma comédia sobre quatro adolescentes de uma banda cover do Kiss que passam por algumas "aventuras" para ver seus ídolos em Detroit em 1978. Filme engraçadíssimo e essencial para todo fã de rock. Na trilha sonora, que é fantástica, além de ter muito Kiss, tem Nazareth, Thin Lizzy, Van Halen, AC/DC, Ted Nugent, Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Ramones, UFO, Sweet, The Runaways, entre outras bandas clássicas.




2 - Rockstar (2001)

"Rock Star" é inspirado na vida do vocalista Tim Ripper e no período em que ele foi vocalista do Judas Priest. É uma bela produção de Hollywood com grandes estrelas do cinema. A banda fictícia Steel Dragon que aparece no filme é formada por  Zakk Wylde na guitarra, Jeff Pilson no baixo e Jason Bonham na bateria. Os vocais foram feitos por Miljenko Matijevic (da banda de hard rock Steelheart) e Jeff Scott Soto, além de o filme ter uma pequena participação de Myles Kennedy, vocalista da banda solo de Slash e do Alter Bridge.


1 - Quase famosos (2000)

"Almost Famous" é uma das mais bonitas homenagens já feitas ao rock no cinema. Retrata o cenário do rock dos anos 70. Baseado na vida pessoal do diretor Cameron Crowe, fala sobre um rapaz de 15 anos aspirante a jornalista que consegue trabalho na revista Rolling Stone, e deve acompanhar a banda fictícia Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos . A trilha sonora impecável conta com Led Zeppelin, Elton John, The Who, Yes, Lynyrd Skynyrd, David Bowie, Simon & Garfunkel, Rod Stewart, além de outros clássicos e canções originais do "Stillwater", banda que é uma mistura de três bandas, conforme o próprio Cameron: Led Zeppelin, The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd.

domingo, 9 de julho de 2017

"Carmilla, a Vampira de Karnstein", de Sheridan Le Fanu



"A infame existência do vampiro é sustentada pelo renovado sono diário na sepultura. Sua horrível luxúria por sangue vivo supre o vigor da sua existência acordada. O vampiro é propenso a ficar fascinado com uma absorvente veemência, lembrando a paixão do amor, especialmente por pessoas." - Carmilla


por Renan Caíque

Em tempos de "Crepúsculo", infelizmente, a maioria das pessoas, principalmente jovens, esquecem-se ou sequer conhecem as clássicas obras do vampirismo, nos séculos XVIII e XIX, como "A noiva de Corinto"(1797) de Wolfgang von Goethe, "Christabel"(1798) de Samuel Taylor Coleridge, "O Vampiro"(1819) de John William Polidori, "Varney, o Vampiro"(1840) de James Malcolm Rymer, "Drácula"(1897) de Bram Stoker, e claro, "Carmilla" de Sheridan Le Fanu.
   
"Carmilla, a Vampira de Karnstein", publicado originalmente em forma de folhetim, de 1871 a 1872, por Sheridan Le Fanu (1814-1873), é uma novela de caráter gótico e de influência romântica; foi a primeira obra a ter uma vampira como personagem principal. Conta a história de uma jovem solitária chamada Laura, que vive apenas com o seu pai e duas governantas em um imenso e velho castelo, na Estíria(lugar localizado na Áustria). Certa noite, enquanto passeavam juntos, Laura e seu pai, ocorre um pequeno acidente próximo a eles, onde uma carruagem com pessoas por eles desconhecidas, tomba. Uma jovem é retirada da carruagem aparentemente sem vida ao mesmo tempo que uma senhora sai de lá dentro fitando a jovem com preocupação. O pai de Laura logo consta que a jovem desmaiada ainda tem vida, e oferece ajuda à senhora. Após muito hesitar, a dama aceita a ajuda dizendo que tem uma longa viagem de vida ou morte a fazer, e que regressará dali há três meses, então fica combinado que Laura e seu pai, teriam a jovem como hóspede durante este tempo. A bela e misteriosa jovem se diz chamar Carmilla, porém não fala quase nada sobre quem é, o seu passado e a sua família; apesar disto, logo Laura e Carmilla tornam-se grandes amigas, e quanto mais íntimas se tornam, mais mistérios começam a acontecer no lúgubre castelo.


   
Alguns elementos sempre presentes na novela de Le Fanu são o suspense sombrio, o ambiente gótico(castelos e igrejas medievais, ruínas, vilas abandonadas, clima noturno, lugares escuros e misteriosos, etc) e às vezes o sentimentalismo ultrarromântico. Algo também a se destacar, é o erotismo subjacente e o suposto lesbianismo de Carmilla, que ataca apenas a mulheres, e quase em todo o livro demonstra-se fascinada e até obsessiva por suas vítimas.
"Carmilla" influenciou toda a literatura vampírica que se seguiu após o seu lançamento, sendo inclusive a principal fonte de inspiração para o clássico "Drácula" de Bram Stoker (a obra de vampiros mais conhecida e influente da história). Este é um livro encantador, apesar de bem curto, que não é só uma história de vampiros, é um ensaio sobre a solidão e as relações humanas, e as impressões ingênuas da vida e dos sentimentos da jovem narradora Laura.


Cena do filme "Carmilla, a Vampira de Karnstein" de 1970

Foi o livro de vampiros mais adaptado para o cinema depois de "Drácula". Eis algumas adaptações: "O Vampiro"(1932) de Carl Theodor Dryer, "Rosas de Sangue"(1960) de Roger Vadim, "O túmulo do horror"(1964) de Camilo Mastrocinque, "Carmilla, a Vampira de Karnstein"(1970) de Roy Ward Baker, "As filhas de Dráculo"(1971) de John Hough, "Luxúria de Vampiros"(1972) de Jimmy Sangster "A Noiva Ensanguentada"(1972) de Vicente Aranda, "Alucarda"(1977) de Juan López Moctezuma, "Carmilla"(1980) de Janusz Kondratiuk, "Carmilla"(1989) de Gabrielle Beaumont, "Styria"(2014) de Mark Devendorf  e Mauricio Chernovetzky, "The Unwanted"(2015) de Bret Wood.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

10 Grandes Filmes Gótico-Românticos



"É curioso que esse rótulo me persiga... Deve ser alguma peculiaridade da cultura americana, onde você é rotulado por alguma característica quando é muito jovem, isso gruda em você para o resto da vida, não importa o que você faça. hoje, se eu sair na rua vestido de palhaço, rindo à toa, ainda vão dizer que tenho uma personalidade sombria." - Tim Burton


por Renan Caíque


Antes de tudo, devo definir o que eu classifico como filmes "gótico-românticos". O "romântico" não vem da atual concepção deste termo, que acabou se tornando vazio e vulgar demais; e sim do Romantismo, movimento artístico e filosófico surgido no séc. XVIII na Europa, sendo alguns dos seus principais representantes na literatura Goethe, Victor Hugo, Lord Byron, Friedrich Schiller, Percy Shelley, John Keats, Alfred de Musset, Alphonse de Lamartine, e no Brasil, Álvares de Azevedo.
Entre as várias características deste expressivo movimento, encontravam-se o sentimentalismo exagerado, a idealização do amor e da mulher, a preferência por ambientes noturnos e escuros, o apego à solidão e à melancolia, o tédio constante, a dor existencial e o desejo pela morte como forma de se libertar.
E o "gótico" a que me refiro vem da Literatura Gótica, surgida no séc. XVIII,  através de autores como Anne Radcliffe, William Beckford, Mary Shelley, Bram Stoker, Edgar Allan Poe, Baudelaire, e mais tarde Anne Rice e Lovecraft. Apresentava como principais características cenários obscuros e solitários como castelos antigos, catedrais, cemitérios e florestas isoladas; mistérios, o medo, o terror, a beleza sombria, a morte. A Literatura Gótica tinha uma tênue ligação com o Romantismo e vários autores oscilaram entre os dois movimentos, muitos misturando elementos de ambos em suas obras.
Pois bem, se todas as características desses dois movimentos ou várias delas fossem aplicadas ao cinema, quais filmes poderiam se enquadrar nesse estilo? Eis o que proponho apresentar neste post, alguns que se encaixam em tal descrição:

10 - O Fantasma da Opéra:



Baseado no romance "O Fantasma da Ópera" (1909-1910), de Gaston Leroux, este é um drama musical de 2004, dirigido por Joel Schumacher, que fala sobre o amor, a solidão e o preconceito, através de belas canções, compostas por Andrew Lloyd Webber. Na história, a jovem Christine Daae (Emmy Rossum), que fazia parte do coral de uma companhia de teatro, um dia, faz uma apresentação como protagonista por conta da ausência da cantora que era responsável por esta parte. Christine faz sucesso em sua estreia por seu talento, chamando a atenção do Visconde de Chagny (Patrick Wilson), o novo patrocinador da companhia. O Visconde e Christine se conheceram ainda crianças, mas ele apenas a reconhece na encenação da ópera. Mas o que nem ele nem ninguém da companhia sabem é que Christine tem um misterioso professor de canto, que se esconde nas sombras e acompanha tudo o que acontece no teatro: o Fantasma da Ópera (Gérard Butler). 
   O livro é lindo e esta adaptação ficou ao nível da obra literária. As vozes, os diálogos, as atuações, as vestimentas, os cenários sombrios, o clima sentimental e poético, tudo isso faz deste filme uma das melhores representações do gótico e do romântico na Sétima Arte.



9 - Amantes Eternos:


"Only Lovers Left Alive", de 2013 é do diretor Jim Jarmusch. E é "um filme de vampiros", o que faz a primeira vista se pensar antes de assistir que provavelmente será clichê, devido à saturação do tema no cinema ao longo da história. E em parte é. Mas não deixa de ser um filme encantador e profundo. Basicamente, conta a história de um amor eterno entre dois vampiros eruditos, Eve (Tilda Swinton) e Adam (Tom Hiddleston), que vivem cansados da sociedade atual e de sua decadência. Adam, principalmente, que se refere aos humanos como "zumbis", tem muitas características de um poeta byroniano e vive praticamente recluso e em completo tédio. E isto é demonstrado por meio da trilha sonora melancólica e arrastada, a lentidão, as cenas escuras e toda a atmosfera soturna. Interessante também são as várias referências culturais por exemplo a Edgar Allan Poe, Baudelaire, Schubert, Gustave Flaubert, Shakespeare, Newton, entre outros.


8 - O retrato de Dorian Gray:



Primeiramente, sim, já li o livro e acho-o maravilhoso, é um dos meus preferidos. E apesar de ser pouco fiel, para mim, esta adaptação cinematográfica de 2009 é a melhor já feita, sendo que esta é a 16ª já feita . A belíssima direção é de Oliver Parker. A história é simples: Dorian Gray (Ben Barnes) é um belo jovem privilegiado que deseja que sua imagem em uma pintura envelheça em seu lugar. O que ele considerava uma vantagem, se torna uma maldição, e quanto mais velho e corrupto Dorian fica, o retrato guardado no porão se torna um monstro, enquanto sua imagem física permanece intacta.
Novamente o gótico e o romântico se unem de forma perfeita no cinema! Com certeza a melhor atuação de Ben Barnes, e o melhor Dorian Gray do cinema. Colin Firth também está ótimo como o venenoso Lord Henry. Talvez alguns erros do filme sejam ter omitido alguns dos diálogos mais interessantes do livro e ter feito algumas modificações desnecessárias, mas continua sendo um ótimo filme pra ver e rever várias vezes.


7 - O morro dos ventos uivantes:


"O Morro dos Ventos Uivantes" é um filme de 1992 dirigido por Peter Kosminsky, baseado na obra de mesmo nome, de Emily Brontë. No final do século XVIII, em uma área rural da Inglaterra, surge com o tempo uma violenta paixão entre Catherine Earnshaw (Juliette Binoche) e o cigano Heathcliff (Ralph Fiennes), seu irmão adotivo. Criados juntos, eles são separados pela morte do pai de Catherine e a crueldade de como Hindley Earnshaw (Jeremy Northam), seu irmão, trata Heathcliff. Quando Heathcliff fica sabendo que ela vai casar com Edgar Linton (Simon Sheperd), um homem rico e gentil, Heathcliff foge para fazer fortuna, ignorando o fato de que Catherine o ama, e não o futuro marido. Dois anos depois, Heathchliff retorna para vingar-se de Hindley e Edgar e do abandono que Catherine lhe infligiu.
Logo que terminei de ler o livro, procurei uma adaptação cinematográfica para assistir e me decepcionei ao ver a de 2011, de Andrea Arnold. Mas, depois, quando vi este de 1992, fui rapidamente seduzido. Os protagonistas fizeram um lindo trabalho em seus papéis, neste que é um dos filmes mais puramente românticos que já vi. Do início ao fim são juras de amor eterno, lágrimas, mortes, vinganças... enfim, uma bela tragédia poética que conseguiu manter perfeitamente o clima do livro. Recomendadíssimo para quem gosta do estilo.


6 - Edward mãos de tesoura:



E é claro que não poderia faltar uma obra do mestre Tim Burton! Este clássico de 1990 livremente inspirado em "Frankenstein" de Mary Shelley, une de maneira ímpar algumas características da Literatura Gótica(a estética dark, o bizarro, a solidão do protagonista por ser diferente, o contraste entre lugares escuros e claros, a noite e o dia) e do Romantismo(a subjetividade e sentimentalismo, a sensibilidade o amor incondicional e inalcançável de Edward por Kim), e ainda com uma dose de humor, como só Burton sabe fazer.
Sinopse: Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que acidentalmente descobre Edward (Johnny Depp), um jovem que mora sozinho em um castelo no topo de uma montanha e que na verdade foi criado por um inventor (Vincent Price), que morreu antes de dar mãos ao estranho ser, que possui apenas enormes lâminas no lugar delas. Isto o impede de poder se aproximar dos humanos, a não ser para criar revolucionários cortes de cabelos, mas ele dá vazão à sua solidão interior ao podar a vegetação em forma de figuras ou esculpir lindas imagens no gelo. No entanto, Edward é vítima da sua inocência e, se é amado por uns, é perseguido e usado por outros.


5 - Confissões de um jovem apaixonado:



Este filme de 2012 é uma adaptação do romance auto-biográfico "A Confissão de um filho do Século" de Alfred de Musset, um dos maiores nomes do Romantismo literário. E ainda que o filme não tenha nem de longe a beleza e a riqueza do livro, vale muito a pena ser visto. Eis a sinopse: Em 1830, na cidade de Paris, Octave (Peter Doherty) vive depressivo, desde que foi abandonado por sua amante. Quando seu pai morre, ele volta ao seu país de origem, onde encontra Brigitte (Charlotte Gainsbourg), uma viúva dez anos mais velha do que ele. Octave se apaixona perdidamente, mas não consegue se entregar facilmente a este amor.
É bem lento, arrastado e muitas vezes pessimista, mas com diálogos belos e reflexivos e até mesmo  com algo de política. A fotografia e a trilha sonora são tétricas e lindíssimas, o que nos permite sentir um pouco a angústia do protagonista, ávido pela morte quando fica ciente da incorrespondência de seus amores. É um filme dramático, sensível e extremamente poético. Recomendado aos amantes da Arte romântica e lúgubre em geral.

4 - O Corvo:



Quando eu conhecia este filme apenas por nome, imaginava que fosse um daqueles blockbusters vazios, onde há ação e violência do início ao fim. Quando dei uma chance e resolvi assistir a ele, percebi que estava imensamente equivocado: o filme é lindo e muito poético!
O Corvo é uma adaptação cinematográfica de 1994 da história em quadrinhos homônima de James O'Barr e foi dirigido por Alex Proyas. Na história, Eric Draven e sua noiva Shelly são brutalmente assassinados na Noite do Demônio (Devil's Night), a noite que precede o Halloween. Um ano depois, Eric volta do mundo dos mortos guiado por um corvo. Inicialmente sem lembranças do ocorrido, volta ao seu antigo loft onde recobra as memórias e a dor da morte. Eric pinta em seu rosto os traços de um palhaço feliz e distorcido e inicia uma caçada para vingar-se de seus assassinos. Os bandidos são mortos um a um, até que Eric, com o auxílio do sargento Albrecht, se encontra com o maior criminoso da cidade, Top Dollar e a sua irmã, que entretanto conseguiu apanhar o corvo. Ela descobriu que o sofrimento do corvo (pássaro) seria transposto para Eric, colocando assim a sua imortalidade em perigo.
Um dos charmes do filme é o estilo dark característico dos romances góticos e outro a idealização do amor, que perdura mesmo após a morte, característica típica do ultrarromantismo. Ah, e nem precisava dizer que o título veio do clássico poema de Edgar Allan Poe; aliás há uma cena em que o protagonista recita versos de Poe do referido poema.


3 - Drácula de Bram Stoker:


Este é um dos raros casos em que a adaptação cinematográfica talvez tenha superado a obra literárias e é uma das melhores representações do gótico no cinema: vampiros, castelos medievais, cemitérios, amores eternos, noites sombrias, tudo contribui para o clima a la E. T. A. Hoffmann e de outros escritores góticos.
O filme é de 1992, e é dirigido pelo renomado  Francis Ford Coppola. O filme conta a história do líder romeno Vlad Tepes (Drácula), que, ao defender a igreja cristã na Romênia contra o ataque dos turcos, tem sua noiva Elisabetha enganada: esta crê que seu amado morreu e então atira-se no rio chamado "Princesa". Vlad, ao retornar da guerra e constatar a morte de sua amada, e condenada ao inferno (pois se matara), renuncia e renega a Deus, à igreja e, jurando só beber sangue a partir daquele momento, sendo assim condenado à sede eterna, ou seja, ao vampirismo.Quatro séculos se passam, e ele redescobre a reencarnação de Elizabetha, em Londres, agora conhecida como Wilhelmina Murray (Mina). Jonathan Harker, noivo de Mina, parte a trabalho para a mansão do Conde Drácula, onde irá vender dez terrenos na área de Londres para este estranho Conde. Lá é feito prisioneiro, enquanto o conde se encaminha à Inglaterra para reencontrar sua amada. O resto do filme consiste em uma busca desesperada e sofrida do amante para reconquistar sua amada.


2 - Frankenstein de Mary Shelley:



"Frankenstein de Mary Shelley" é um filme de 1994, dirigido por Kenneth Branagh, com produção de Coppola, e tendo no elenco o próprio Branagh, Robert de Niro, Tom Hulce, Helena Bonham Carter, Aidan Quinn, entre outros. Trata-se de uma adaptação da obra Frankenstein, da escritora Mary Shelley, e é talvez a adaptação mais fiel desta obra-prima. Sinopse: Em 1794, um explorador no Ártico ao tentar abrir caminho através do gelo encontra Victor Frankenstein (Kenneth Branagh). Logo depois os cães decidem atacar uma criatura (Robert De Niro), que os mata rapidamente. Assim, Victor decide contar-lhe, como tudo começou, quando ele foi estudar medicina em Ingolstadt, deixando para trás sua noiva e levando consigo uma única obsessão: vencer a morte. Na faculdade, ao discordar de um renomado mestre, acaba chamando a atenção de outro, que revela seus experimentos em reanimar tecidos mortos. No entanto, este pesquisador assassinado e o culpado pelo crime enforcado, então Victor decide colocar o genial cérebro do mestre no vigoroso corpo do assassino, mas as conseqüências de tal ato seriam inimagináveis.
É um filme muito bonito visualmente, com ótimo elenco e profundo, que foge do estilo daquelas horríveis adaptações mais antigas que não tem nada a ver com o livro. Um verdadeiro clássico do cinema gótico!


1 - Entrevista com o vampiro:



Acidentalmente um repórter começa uma conversa com um homem que diz ser um vampiro com duzentos anos e conta a trajetória de sua vida, desde a época em que ainda não era vampiro e como foi infectado pelo vampiro Lestat, com quem teve grandes aventuras mas também grandes desavenças. Eis a sinopse, desta obra-prima da sétima arte. "Entrevista com o Vampiro" é um filme de 1994 baseado no livro homônimo da escritora Anne Rice, estrelando Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Christian Slater e Kirsten Dunst, e dirigido por Neil Jordan.
Com certeza, para mim, é o melhor filme de vampiros já feito e o filme mais ultrarromântico de todos os tempos. Vê-lo é como ler um livro de poemas de Lord Byron: uma viagem pelo romantismo obscuro, de paixões seculares, sentimentalismo exacerbado, anseio pela morte, spleen e solidão. Isto com atuações primorosas, direção artisticamente perfeita, trilha sonora clássica e melancólica, e muita filosofia e poesia. Mais que um filme de vampiros, é uma obra de arte refinada para ser apreciada pelos amantes das artes.

"Paulo e Virgínia" de Bernadin Saint-Pierre


"A morte é um bem para todos os homens, é a noite do dia inquieto que se chama de vida! É no sono da morte que repousam para sempre as enfermidades, as dores, os pesares, os receios que agitam sem cessar os desgraçados viventes!" - Paulo e Virgínia



"Paulo e Virgínia" é um eterno clássico do Romantismo, escrito e publicado pelo francês Bernadin Saint-Pierre(1737-1814) há mais de 220 anos. A história do livro é bem simples e suave, assim como o modo como é contada: duas mulheres pobres, a senhora La Tour e Margarida viviam na pequena ilha de França(lugar distante de qualquer civilização); a primeira acabara de se tornar viúva e estava grávida, e a segunda acabara de ser enganada por um nobre que havia prometido se casar com ela, mas na verdade apenas a usou, engravidando-a, e fugindo logo após. As duas mulheres desgraçadas logo unem-se e tornam-se grandes amigas. Depois, nascem os seus filhos: Paulo(de Margarida) e Virgínia(da senhora La Tour). Os dois são criados juntos como irmãos desde que nasceram, e, à medida que vão crescendo, em momento algum se separam um do outro. A família então vive em plena felicidade e inundada de um amor terníssimo e puro. Porém, chega o dia em que eles recebem a notícia de que uma rica tia da senhora La Tour pretende deixar para ela toda a sua fortuna. A senhora La Tour não estando em condições de viajar para a França, manda a sua filha, Virgínia, que inicialmente recusa, mas depois acaba aceitando, ao pensar no futuro de sua família. Deste momento em diante, a melancolia viverá no coração de Virgínia, de Paulo e de suas mães.



"Paulo e Virgínia" é um romance sobre a beleza da vida simples e pura dos campos. Os protagonistas da obra são seres simplórios e ignorantes, ainda vivem na inocência, e por isto, são felizes; não conhecem os sentimentos ruins, e por isto, o que mais os apraz é fazer o bem e praticar o amor, um amor ocasionado pela simples vontade de amar, sem esperar nada em troca. A linguagem cândida e sentimentalista da obra assemelha-se ao romantismo de "Os sofrimentos do jovem Werther" de Goethe e "Graziela" de Lamartine, assim como o desfecho inevitavelmente trágico.

O romance apresenta ainda muitas críticas à sociedade burguesa do tempo e ao seu modo de vida fútil, corrompido pelo artificialismo. Deste modo, baseado nas ideias de Rousseau do "bom selvagem", Saint-Pierre desvela o contraste entre a vida simples, campestre (onde há a virtude e a verdadeira felicidade) e a vida luxuosa nas cidades grandes ( onde à felicidade sobrepõem-se o prazer frívolo e a hipocrisia).

"Paulo e Virgínia" foi escrito em 1787, embora o autor já planejasse escrevê-lo há tempos, pois ele realmente viveu um tempo(de 1768 a 1770) na Ilha de França, lugar onde se passa a história; por isto as ricas descrições da natureza que há em todo o livro. Ao ser publicado, em 1788, fez tanto sucesso que rapidamente foi publicado em dezenas de outros idiomas. Um romance super recomendado, apesar de hoje em dia não ter nem metade da fama que já teve outrora,

quinta-feira, 6 de julho de 2017

"A Revolução dos Bichos" de George Orwell

"Nada havia agora senão um único Mandamento dizendo: TODOS OS ANIMAIS
SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS.
Depois disso, não foi de estranhar que, no dia seguinte, os porcos que
supervisionavam o trabalho da granja andassem com chicotes nas patas." - A Revolução dos Bichos

por Renan Caíque
   
"A Revolução dos Bichos", publicado em 1945 por George Owell(1903-1950), é um romance que satiriza o stalinismo. O livro se passa em uma fazenda, a Granja do Solar, e conta a estória de animais que cansados de serem explorados pelos humanos  promovem uma rebelião contra os seus donos, expulsando-os e apossando-se da fazenda. Os animais mudam o nome da fazenda para "Granja dos Bichos" e buscam alcançar uma sociedade ideal onde há igualdade e justiça, baseada nos princípios de um sistema político criado por eles, o animalismo, onde se repudiava tudo o que era humano, e tal sistema podia ser resumido em: "Quatro pernas bom, duas pernas ruim." Os porcos, por serem os mais inteligentes ficam na liderança, especialmente Napoleão e Bola-de-Neve, e no início a sociedade parece funcionar bem, porém, não demora muito para que os líderes passem a usufruir de privilégios em relação aos outros animais; apesar disso ainda prevalece a maior parte dos ideais iniciais do novo sistema. O pior acontece quando Napoleão, corrompido pelo poder, expulsa Bola-de-Neve à força da fazenda, e se torna o único líder. Logo, o Animalismo aos poucos é modificado e chega a uma ditadura igual ou até pior à dos humanos, onde ninguém pode pensar de maneira diferente do governo, e aqueles que ousam ir contra ele são silenciados à força ou desaparecem. Tudo o que os animais passam a fazer é trabalhar e comer – isto é, quando há comida – ficando sem tempo para pensar.



Contexto histórico que inspirou a obra:




Em 1848, foi publicado o "Manifesto do Partido Comunista", por Karl Marx(1918-1883) e Friedrich Engels(1890-1895), um dos tratados políticos mais importantes e influentes da história. Esta obra propunha a união dos proletários em todo o mundo contra a opressão burguesa, e dizia que só por meio da revolução haveria reformas sociais e melhores condições de vida para enfim se atingir uma sociedade igualitária, sem classes. Mais de 50 anos depois, no início do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e a extrema miséria e pobreza reinavam entre os trabalhadores rurais. O czar Nicolau II governava a Rússia de forma absoluta, ou seja, concentrava em si todo o poder, agindo antagonicamente à democracia. Por volta deste tempo, começa a formação de grupos de trabalhadores russos, sob liderança de Vladimir Lênin(1870-1924). Em 1917, a insatisfação popular aumentou, após a Rússia participar da Primeira Guerra Mundial, e destarte obter muitos gastos e prejuízos. Em outubro deste ano, enfim ocorre a Revolução Russa, onde Lênin assume o poder e baseado em Marx implanta o socialismo. Após a revolução, surge a URSS(União das Repúblicas Soviéticas), e se segue um período de grande crescimento econômico. Após a morte de Lênin, em 1924, houve uma grande luta interna pelo poder soviético, principalmente entre Trótsky e Stalin. Stalin acaba vencendo e logo expulsa Trótsky do partido e do país, depois mandando executá-lo. Stalin, rapidamente, torna-se um ditador absoluto, que mandava prender, torturar e matar aqueles que pensassem ou agissem contra os seus interesses. O stalinismo, como ficou conhecido o seu governo durou até a sua morte, em 1953.

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Ao escrever "A Revolução dos Bichos", George Orwell inspirou-se em tais eventos históricos, e não são difíceis de notar as analogias feitas por ele: Major, o sábio porco que no início da estória propõe uma revolução é uma representação de uma mistura de Marx com Lênin; Sr. Jones o czar Nicolau II, os cavalos Sansão e Quitéria, que são muito fortes e trabalhadores, representam o proletariado; Bola-de-Neve, o porco exilado injustamente seria claramente Trótsky; o ditador Napoleão seria Stalin, os cães que o protegem a KGB (polícia secreta soviética) e Garganta representa a propaganda do governo, que oculta a verdade do povo a fim de controlá-lo. Tanto a obra quanto os fatos históricos que a inspiraram, iniciam-se com sonhadores, que cansados dos sofrimentos e opressões pelos quais passavam, almejam a formação de um mundo melhor, inspirados pelas ideias de um grande pensador, e fazem uma revolução. O desfecho também é igual: ambos terminam em um regime totalitário.






George Orwell era um socialista democrático e, obviamente, neste livro não fez uma crítica ao socialismo e sim ao stalinismo, ou seja, à tentativa de Stalin de colocar o Socialismo de Marx em prática, pois como ele mesmo disse "Stalin traiu a Revolução Russa" e também: "nada contribuiu tanto para a corrupção da ideia original de socialismo quanto a crença de que a Rússia é um país socialista..."
O livro, do começo ao fim, é belíssimo, reflexivo e em momento algum torna-se enfadonho, ao contrário, é sempre muito envolvente, e há momentos que chegam a causar revolta e compaixão, como quando vários animais inocentes são executados a mando de Napoleão sob suspeita de traição, ou mesmo lágrimas, como quando Sansão será sacrificado como se fosse nada, embora tenha sido durante toda a sua vida fiel, prestativo e de ótimo caráter. E quando se pensa que tudo isso realmente acontecia com pessoas no período que inspirou o livro, o sentimento de angústia torna-se maior ainda.
É impressionante a originalidade deste livro, que ao tratar de assuntos tão sérios e profundos, vale-se de uma linguagem leve, simples e é contado através de uma fábula, tornando-o inteligível a todo tipo de leitor, desde uma criança até um leitor extremamente crítico. Impressiona também a atualidade da obra, pois apesar de ter sido baseada em um determinado período histórico, não é necessário conhecimento dele para poder lê-la, afinal mais que uma crítica a tal período, o autor fez uma crítica a toda forma de autoritarismo e às mazelas humanas, tais como corrupção, traição, maldade, ambição e egoísmo. E inclusive pode ser analisado sob a ótica da sociedade atual, afinal o governo ainda não persiste em tentar distrair a população dos muitos problemas que existem através da propagação de mentiras e falsas esperanças? E não faz os de classe mais baixa trabalharem excessivamente, para assim não terem tempo para pensar e questionar? E a minoria que detém o poder não tem privilégios em relação ao resto? Enfim, são infinitas as analogias que podem ser feitas, o que nos faz refletir se não continuamos a viver em uma ditadura, apesar de disfarçada de democracia.

Por fim, pode se dizer que George Orwell, tendo presenciado o stalinismo, atingiu o seu principal objetivo, ao escrever “A Revolução dos Bichos”, que é o de mostrar ao leitor e fazê-lo realmente sentir, toda a irracionalidade, o egoísmo e os horrores que existem em uma ditadura, e como em vez de resolver os problemas sociais, ocorre um efeito contraproducente e ela acaba trazendo problemas maiores, concluindo que não é possível em uma sociedade onde o poder está centralizado em uma minoria, haver liberdade e igualdade.

terça-feira, 4 de julho de 2017

"Frankenstein" de Mary Shelley



"Por muito tempo, não conseguia entender como um homem podia matar um semelhante. Ou porque precisava de leis e de governos. Quando ouvi detalhes das crueldades e derramamentos de sangue que indivíduos ou nações impunham uns aos outros, não pude conter meu sentimento de revolta." - Frankenstein


por Renan Caíque

"Frankenstein: ou o Moderno Prometeu", escrito em 1816, por Mary Shelley (1797-1851) é um dos maiores clássicos da Literatura Gótica e do Romantismo, e uma das obras mais conhecidas da literatura universal de todos os tempos. É quase impossível encontrar alguém que nunca tenha, ao menos, ouvido falar do nome "Frankenstein", apesar de as pessoas comumente chamaram por esse nome o "monstro", quando na verdade este é o nome do seu criador.

O romance, geralmente em clima tétrico e dramático, conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante de ciências naturais, que fica fascinado pela hipótese de poder criar vida a partir da matéria morta, e assim, empenha-se para isto. Com o passar de dois anos, após muito trabalho e esforço, ele consegue. Entretanto, o resultado não sai como o planejado: a sua criação é um ser amarelo, monstruosamente feio, de 2,40 m de altura; nas suas palavras "nenhum mortal seria capaz de suportar o horror daquele rosto." No entanto, apesar de sua aparência, o "monstro" demonstra ser alguém sensível, bondoso e inteligente, que apenas ansiava pelo amor e pela afeição, porém o mundo lhe dá um tratamento proporcional à sua monstruosidade exterior, ignorando as suas qualidades, o que resulta em seu profundo sentimento de vingança e ódio, sobretudo por seu criador, Victor Frankenstein, que também o despreza e repudia. A partir daí toda a desgraça recairá sobre Victor e aqueles que ama.

O romance é de uma criatividade impressionante, e mais impressionante ainda é saber que foi escrito quando a autora tinha apenas 19 anos. Interessante também é a história da origem de tal obra: em 1816, Mary Shelley, em companhia do seu marido, o poeta Percy Shelley, e de sua meia-irmã Claire Clairmont, passou o verão num castelo do poeta Lord Byron, próximo de Genebra, na Suíça, onde também se encontrava o médico e escritor John Polidori. Numa certa noite, após lerem uma antologia alemã de contos de fantasmas, Byron propôs que cada um escrevesse uma história de terror, uma espécie de concurso entre eles. Byron então escreveu um conto conhecido hoje por "O enterro", mas que nunca foi terminado. Percy Shelley escreveu uma história baseada nas primeiras experiências de sua vida. Polidori escreveu o conto "O vampiro", primeira história sobre vampiros em língua inglesa; tornou-se um clássico da Literatura Gótica, e chegou mesmo a influenciar o famoso "Drácula" de Bram Stoker. Porém, o resultado mais surpreendente foi o "Frankenstein" de Mary Shelley, que ficou eternizado.

Cena do filme Gothic (1986) de Ken Russell. Na imagem, respectivamente: Mary Shelley, John Polidori, Lord Byron, Percy Shelley e Claire Clairmont.


Entre os vários temas que Mary Shelley navega em seu romance, talvez o principal seja a relação entre a criatura e o criador, em clara analogia entre o "monstro" e Frankenstein, e o homem e Deus, o que é enfatizado pela epígrafe no início no livro, retirado de "O Paraíso Perdido" de John Milton, e que diz:

"Pedi eu, ó meu criador, que do barro
Me fizesses homem? Pedi para que
Me arrancasses da trevas?"

Algumas questões que a Srta. Shelley suscita são: Teria alguém permissão para criar um outro ser vivo? E se sim, valeria o preço a se pagar? E o ser criado deveria ser grato ao seu criador, por viver?

Algo também que nos faz questionar na obra de Shelley é: seria a criatura ou o criador o verdadeiro "monstro"? Victor tinha intenções nobres ao tentar vencer a morte através da ciência, contudo, ao ver o "fracasso" de seu experimento, agiu de certa forma cruelmente ao ignorar os sentimentos do ser vivo que criara, e por vezes a criatura é mais humana que ele, o que talvez o torne mais monstro que a sua criação de aparência monstruosa.

O que é a vida? Para alguns uma benção, mas a obra de Mary também nos faz pensar o quão ela pode ser uma maldição, e que muitas vezes, ser feliz não depende principalmente de nós, e sim das pessoas que nos rodeiam. O "monstro" criado por Frankenstein é infeliz porque não é amado, e depois, esta falta de amor que se torna tristeza e solidão, transforma-se em ódio e desejo de vingança. Deste modo, a Srta. Shelley expõe a ideia de que não nascemos maus, é a sociedade que nos corrompe, e fala sobre a importância de amar e ser amado.

  



Enfim, uma obra forte, autêntica, emocionante e bem atual(ao tratar de problemas sociais atemporais como o preconceito, o egoísmo e a discriminação), que fará o leitor refletir sobre a vida, o amor, a virtude, justiça, ética, entre tantos outros assuntos, além de a obra ser precursora da ficção científica.

O livro gerou várias adaptações cinematográficas, apesar de quase todas serem infiéis ao livro: "Frankenstein" (1910) de Thomas Edison, "O monstro de Frankenstein" (1920) de Eugenio Testa, "Frankenstein" (1931) de James Whale, "A noiva de Frankenstein" (1935) de James Whale, "O filho de Frankenstein" (1939) de Rowland Lee, "A maldição de Frankenstein" (1957) de Terence Fisher, "A vingança de Frankenstein" (1958) de Terence Fisher, "O monstro de Frankenstein" (1964) de Freddie Francis, "...E Frankenstein criou a mulher" (1967) de Terence Fisher, Frankenstein tem que ser destruído" (1969) de Terence Fisher, "Os horrores de Frankenstein" (1970) de Jimmy Sangster, "Frankenstein e o monstro do inferno" (1973) de Terence Fisher, "O jovem Frankenstein" (1974) de Mel Brooks, "A prometida" (1985) de Franc Roddam, "Frankenstein: o terror das trevas" (1990) de Roger Corman, "Frankenstein de Mary Shelley" (1994) de Kenneth Branagh, "Frankenstein" (2004) de Kevin Connor, "Frankenstein" (2007) de Jed Mercurio, "Frankenweenie" (2012) de Tim Burton, "Frankenstein: entre anjos e demônios" (2013) de Stuart Beattie, além de ter servido de inspiração para o filme "Edward, mãos de tesoura" (1990) de Tim Burton.

A autora, Mary Shelley, depois de "Frankenstein", ainda escreveu os romances "Valperga" (1823), "O Último Homem" (1826), "Percy Warbeck" (1830), "Lodore" (1835), "Falkner" (1837) e o livro de relatos de viagens "Passeios na Alemanha e na Itália" (1844).

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Jane Eyre" de Charlotte Brontë

"Eu me lembrava de que o mundo real era vasto, e que uma
quantidade enorme de esperanças e medos, de sensações e
emoções, estava à espera daqueles que ousassem sair por
ele afora, buscando, em meio a seus perigos, o verdadeiro
conhecimento do que é a vida." - Jane Eyre

por Renan Caíque


É tarefa difícil fazer uma resenha de um grande clássico da literatura; mais difícil ainda é quando este clássico é um dos seus livros favoritos, mas tentarei:


"Jane Eyre", escrito e publicado em 1847 por Charlotte Brontë(1816-1855), é um romance que conta a história de Jane, órfã de pai e mãe, que vive infeliz em meio a parentes que a odeiam. Aos 11 anos, Jane é enviada para um colégio interno, onde conhece a amizade, a afeição e os seus primeiros momentos de júbilo, apesar do sofrimento que lá passa. Aos 16, torna-se professora lá, e aos 18, sai do colégio para trabalhar como tutora da jovem Adele, menina órfã de mãe, e protegida de Mr. Rochester, um homem rico, de charme singular, misterioso e sombrio, um verdadeiro arquétipo do herói byroniano. A vida em casa não é muito calma, pois comumente ouvem-se gritos, vozes estranhas e lamentos vindos de uma ala afastada da casa, e os criados aparentam conhecer algum tenebroso segredo, o que deixa Jane intrigada. Ela, em pouco tempo, fica confusa sobre os sentimentos diversos que cultiva pelo patrão, e em torno disso surgem muitas surpresas, lágrimas e tragédias... mas também alegrias inesperadas.


Com várias citações de Shakespeare e da Bíblia, e influência nítida de Lord Byron, Charlotte Brontë escreveu um belíssimo romance romântico que não é "uma simples história de amor clichê", e sim uma história profunda, reflexiva e comovente, além de ser uma obra precursora do Feminismo, ao quebrar aquele esteriótipo da mulher submissa, frágil, supérflua e retratar a sua emancipação, em oposição aos romances de Jane Austen(1775-1817), onde as mulheres eram um mero adorno social, obrigadas a se casar, para garantir a sua sobrevivência. Esta era a interpretação de Charlotte Brontë na época, embora hoje em dia haja visões diferentes e Jane Austen seja inclusive considerada também feminista por grande parte dos seus leitores.


O livro é uma análise dos sentimentos humanos feita através do olhar observador da protagonista Jane Eyre em relação às outras pessoas da trama, ao mundo por ela conhecido e a ela mesma; tudo por meio de pensamentos, diálogos e descrições, ora românticas, ora sarcásticas porém sempre inteligentes e interessantes de se ler. As personalidades foram criadas com tamanha maestria, que as personagens parecem vivas e são capazes, não raramente, de causar ao leitor diversas reações: simpatia, repugnância, desprezo, encanto, amor, ódio, saudade, etc; e quando lemos é como se fizéssemos parte da história e sentíssemos a angústia de Jane e das outras personagens.


E, apesar de o livro ser relativamente extenso, em momento algum torna-se prolixo ou enfadonho; muito pelo contrário, prende a atenção do leitor do início ao fim, com um certo suspense e uma escrita magistral e única, misturando características da Ficção Gótica, tais como ambientação em castelos, o clima de mistério, a tragicidade dos personagens, conflito entre a luz e as trevas e o bem o mal, e características do romance sentimental de autores como Goethe e Alfred de Musset.

"Jane Eyre" é uma obra-prima que ficou eternizada não sem motivo, e que, embora tenha sido escrita há mais de 150 anos, ainda surpreende pela imensa originalidade e beleza; é um daqueles livros que provavelmente se você ler, jamais se esquecerá. Curiosamente, o romance alcançou tanto êxito logo que foi publicado, esgotando-se rapidamente, que foram feitas no mesmo ano, mais três reimpressões. Foram feitas diversas adaptações cinematográficas de "Jane Eyre":

Cena do filme Jane Eyre de 1944 com
Joan Fontaine no papel de Jane
Cena do filme Jane Eyre de 2011 com
Mia Wasikowska no papel de Jane





















1934 - "Jane Eyre", dirigido por Christy Cabanne, estrelado por Colin Clive e Virginia Bruce
1943 - "I Walked with a Zombie", dirigido por Jacques Tourneur, estrelado por Tom Conway e Frances Dee
1944 - "Jane Eyre", dirigido por Robert Stevenson, estrelado por Orson Welles e Joan Fontaine
1950 - "Jane Eyre"(Filme para TV), estrelado por Charlton Heston
1952 - "Sangdil, a Hindi version also known as Jane Eyre", dirigido por R. C Talwar, estrelado por Madhubala
1956 - "Jane Eyre"(Filme para TV), estrelado por Daphne Slater
1956 - "Mei Gu", dirigido por Chun Yen, estrelado por Lin Dai e Chun Yen
1963 - "El Secreto"(Telenovela), estrelada por Magda Guzmán
1969 - "Shanti Nilayam", dirigido por G.S. Mani, estrelado por Kanchana
1970 - "Jane Eyre", dirigido por Delbert Mann, estrelado por George C. Scott and Susannah York
1972 - "Shanti Nilayam", dirigido por C. Vaikuntarama Sastry, estrelado por Anjali Devi
1978 - "El Ardiente Secreto" (Telenovela), estrelado por Daniela Romo
1983 - "Jane Eyre"(Série para TV), dirigido por Julian Charles Becket Amyes, estrelado por Sian Pattende
1996 - "Jane Eyre", dirigido por Franco Zeffirelli, estrelado por William Hurt e Charlotte Gainsbourg
1997 - "Jane Eyre", dirigido por Robert Young, estreado por Ciarán Hinds and Samantha Morton
2011 - "Jane Eyre", dirigido por Cary Fukunaga, estreado por Mia Wasikowska e Michael Fassbender

E para quem não sabe autora Charlotte Brontë era a irmã mais velha das também escritoras Emily Brontë (1818-1848, autora de "O morro dos ventos uivantes") e Anne Brontë (1820-1849, autora de "A Inquilina de Wildfell Hall" e "Agnes Grey"). Charlotte lançou outras obras embora de bem menor importância: "The Green Dwarf, A Tale of the Perfect Tense"(1833)", "Shirley"(1849)", "Villete"(1853), "O Professor"(1857) e o inacabado "Emma"(1860)