sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

20 grandes filmes de comédia inteligentes



Hoje trago uma lista que há tempos quero fazer: filmes que são de comédia, mas comédias diferentes; são filmes inteligentes que envolvem filosofia, críticas e reflexões sobre a existência de maneira cômica. Naturalmente, faltará muitos e haverá discordâncias por parte de alguns leitores, afinal a lista se baseia em minha opinião crítica, mas também em meu gosto, o que é muito subjetivo. Por isso, fiquem à vontade para também indicar filmes que se encaixem no estilo e a opinarem sobre o post.
Os filmes não estão em nenhuma ordem de melhor ou pior.

Boa leitura :)


 O Sentido da Vida (Meaning of Life - 1983)




Nada melhor que começar esta lista com este clássico dos gênios da comédia do Monty Python, que para quem não conhece foi um influente grupo de comédia britânico surgido nos anos 60. E este é o terceiro filme do grupo, é dividido em sete partes que vão do nascimento até a morte, passando pelas diversas fases da vida de uma pessoa. Eles ironizam de maneira ácida e genial a classe médica, a igreja, a família, o militarismo, o sexo, e tudo o que é levado a sério demais e muitas vezes considerado tabu pelos seres humanos normais. Subversivo, filosófico e engraçadíssimo! Mais que recomendado.


Muito além do jardim (Being There - 1979)





Baseado na novela homônima de Jerzy Kosinski, e bastante influenciado pelo Mito da Caverna de Platão, esta genial comédia fala sobre Chance, um homem ingênuo, que trabalhou a vida toda como jardineiro e que tem na televisão o único contato com o mundo. Ele não sabe ler e nem escrever, não tem carteira de identidade e nunca andou em um automóvel. Quando seu patrão morre, Chance é obrigado a deixar a casa e é atropelado pelo carro de um magnata, que acaba se tornando seu amigo. A partir daí, tudo o que Chance fala, e até mesmo quando ele se cala, passa a ser interpretado como algo genial e metafórico. Este é um filme sobre o poder dos meios de comunicação de massa e como eles podem moldar nossa maneira de enxergar o mundo, e mais ainda uma obra que nos propõe reflexões acerca do que é de fato a realidade, apenas uma verdade absoluta ou várias baseadas na subjetividade, pensamentos e experiências de cada um.


A vida é bela (La vita è bella - 1997) 




Este é um dos maiores clássicos da história do cinema e não sem razão. Esta maravilhosa comédia se passa na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, e fala sobre Guido, um judeu que é mandado para um campo de concentração, juntamente com seu filho, o pequeno Giosuè. Guido é um homem simples, inteligente, espirituoso e possui um grande humor. Por ser um pai amoroso, consegue fazer com que seu filho acredite que ambos estão participando de um jogo, sem que o menino perceba o horror no qual estão inseridos. O filme chega ao resultado a que(em uma interpretação) se propõe: mostrar como a vida é bela, e mesmo nos momentos mais difíceis devemos vivê-la plenamente enxergando sua beleza.


Um peixe chamado Wanda (A Fish Called Wanda - 1988)





Difícil falar deste filme, dificílimo; pois apesar de parecer bobo, ser uma produção barata e de o enredo ser clichê, é um filme muito inteligente e um dos mais engraçados já feitos. Em parte isto se deve aos ex-Monty Python John Cleese e Michael Palin, com o seu humor único nonsense, ao vencedor do Oscar Kevin Kline e à excelente direção de Charles Crichton . Mas todo o conjunto da obra fez um ótimo trabalho. A história é bem simples: em Londres, quatro pessoas muito diferentes se unem para cometer assalto à mão armada e, em seguida, a tentativa de realizar outro saque em joias. Isto com direito a citações de Nietzsche, piadas inteligentes e inesperadas, e situações que beiram o absurdo. Sensacional!




Idiocracia (Idiocracy - 2006)




Esta sarcástica comédia nos faz refletir sobre um supostamente trágico futuro da raça humana. Joe Bowers é um americano comum, que foi selecionado pelo governo para participar de um programa de hibernação. Porém, ele é esquecido no projeto e, 500 anos depois, acorda no futuro. Joe descobre uma nova sociedade, que está tão emburrecida pelo comercialismo de massa e pela alienante programação de TV que ele acaba sendo a pessoa mais inteligente do mundo. Agora, cabe a ele, alguém de inteligência mediana, fazer a humanidade voltar a evoluir. 


Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a Friend for the End of the World  - 2012)




Um meteoro está prestes a colidir com a terra e a fazê-la em pedaços. Não há mais saída: em três semanas, o mundo vai acabar. Algumas pessoas aproveitam os últimos dias de vida para beberem e fazerem sexo sem compromisso; outras se rebelam pelas ruas e começam a destruir os carros e os comércios. Além delas, existe Dodge, corretor solitário que acaba de ser abandonado pela esposa, e Penny, sua vizinha triste, que nunca teve um namoro satisfatório. Juntos, eles decidem percorrer o país para reencontrarem suas famílias e seus amores de juventude antes que seja tarde demais. Com pitadas de drama e romance, é um filme bem filosófico. O que você faria se soubesse que o mundo acabaria em três semanas?


Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan - 2006)





 O escandaloso repórter fictício de Sacha Baron Cohen é enviado do Cazaquistão aos Estados Unidos com a missão de fazer um documentário sobre o país. Conforme a personagem "zig-zagueia" pela América acompanhado de seu câmera, Borat encontra pessoas reais vivendo situações reais com consequências histéricas. O formato de "falso documentário" do filme cria situações espontâneas, divertidas e, acima de tudo, reais. "Borat", facilmente uma das melhores comédias de sempre, é mais que crítica inteligente e politicamente incorreta à sociedade americana, é um ensaio sociológico que provavelmente tem muito a acrescentar a quem o assistir. Uma das maiores riquezas do filme são como são retratados os choques em relação à diferenças culturais.


O primeiro mentiroso (The Invention of Lying - 2009)



Num mundo em que as pessoas falam e conhecem apenas a verdade, Mark Bellison, um fracassado desiludido, inventa a mentira e torna-se uma espécie de guru, conquistando fama e fortuna. Esse é o enredo simples, no entanto originalíssimo de "O primeiro mentiroso", uma bem-humorada e inteligente crítica à moralidade e às religiões.


Em busca do cálice sagrado (Monty Python and the Holy Grail - 1975)




Novamente, Monty Python! Neste longa, o Rei Arthur está à procura de cavaleiros que possam acompanhá-lo em uma importante jornada: a busca do Santo Graal. Sir Lancelot, o Bravo; Sir Robin, o Não-tão-bravo-quanto-Sir Lancelot; Sir Galahad, o Puro e outros cavaleiros se dispõem a participar da busca real. O longa satiriza diversos eventos históricos ocorridos na Idade Média. Curiosamente, este filme só foi concluído devido à ajuda financeira de integrantes de bandas de bandas de rock como Led Zeppelin, Genesis, Pink Floyd, Jethro Tull e Elton John que se juntaram para investir nele.




A vida de Brian (Life of Brian - 1979)




Mais um grande clássico do Monty Python, esse é uma paródia bíblica, em que Brian (nascido no dia de Natal e membro de um grupo separatista anti-domínio romano) é considerado Messias e não consegue convencer ninguém de que não o é. Uma sátira social e religiosa, cheia do humor que caracteriza os Monty Python: non sense, filosófico e crítico.


Depois de Horas (After Hours - 1985)



Paul Hackett, um operador de computador, conhece a estranha Marcy num bar ao sair do trabalho. Acompanhando a jovem até seu apartamento no bairro Soho, ele é confundido com um criminoso e vítima de diversas situações grotescas e absurdas durante toda a madrugada. Este filme foi uma das maiores surpresas que tive, mas apesar de saber que era dirigido por Martin Scorsese, não esperava tanto! Sério, este filme é magnífico. Recomendo muito.




Brazil, o Filme  (Brazil - 1985)




Dirigido por Terry Gilliam, um dos membros do Monty Python, conta a história de Sam Lowry, que vive num Estado totalitário de uma sociedade distópica, controlado pelos computadores e pela burocracia. Neste Estado futurista, todos são governados por fichas e cartões de crédito e ainda precisam pagar por tudo, até mesmo pela permanência na prisão. Em meio à opressão, Sam acaba se apaixonando por Jill Layton, uma terrorista.


Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb - 1964)




Escrito, dirigido e produzido pelo mestre Stanley Kubrick, eis uma das mais geniais obras de comédia já feitas. Fala sobre o General Ripper, que fica maluco e arma um plano para iniciar uma Guerra Nuclear. Então as autoridades máximas dos Estados Unidos e da União Soviética tentam parar um avião-bombardeiro cuja tripulação recebera ordens de lançar uma bomba nuclear na Rússia. Curiosamente, durante a pré-produção deste filme, Kubrick leu cerca de 50 livros sobre guerra nuclear.

Como Enlouquecer seu Chefe (Office Space - 1999)




Peter Gibbons é um programador de computadores que trabalha na Initech fazendo upgrade dos softwares e sente-se muito infeliz no emprego. Mas após uma sessão de hipnose seu comportamento muda e ele passa a não cumprir horários nem fazer nada daquilo que lhe foi determinado. Porém, quanto mais se rebela mais é elogiado por especialistas em produtividade, que lhe dão uma promoção e fazem isto no mesmo período em que várias pessoas são demitidas. Esta é sinopse deste filme maravilhoso. Uma crítica atemporal à burocracia, ao sistema capitalista, à escravidão e à manipulação que os trabalhadores são submetidos, e uma reflexão acerca do que é viver e qual a influência do trabalho em nossa vida.


O show de Truman: O Show da Vida (The Truman Show - 1998)





 Este filme; repleto de analogias a obras religiosas, literárias e filosóficas, tais como "A Bíblia", "Utopia" de Thomas Moore e "O mito da caverna" de Platão;  faz uma belíssima e bem-humorada crítica à influência e à manipulação da mídia sobre a população e mostra como as minorias que detêm o poder abusam dele, chegando ao ponto de se acharem deuses. O filme também questiona a realidade, o que deveras é verdadeiro e o que é falso. Truman é um pacato vendedor de seguros que leva um vida simples com sua esposa. Porém algumas coisas ao seu redor fazem com que ele passe a estranhar sua cidade, seus supostos amigos e até sua mulher. Após conhecer a misteriosa Lauren, ele fica intrigado e acaba descobrindo que, desde que nasceu, ele é o astro, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência. Talvez seja uma representação de nós, seres subordinados em um sistema opressor, preocupados com as futilidades do dia-a-dia.

Lisbela e o Prisioneiro (2003)




Esta bela comédia brasileira com pitadas de romance e poesia é uma adaptação da peça de teatro homônima de Osman Lins. Lisbela está noiva e de casamento marcado, quando Leléu chega à cidade. O casal se encanta e passa a viver uma história cheia de personagens caricatos tirados do cenário nordestino. Lisbela e Leléu vão sofrer pressões da família, do meio social e também com as suas próprias dúvidas e hesitações. Mas, em uma reviravolta final, cheia de bravura e humor, eles seguem seus destinos. Como a própria Lisbela diz, a graça não é saber o que acontece. É saber como acontece e quando acontece.


Intocáveis (Intouchables - 2011)




Philippe é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss, um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado. Aos poucos ele aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais a Driss por ele não tratá-lo como um pobre coitado. Aos poucos a amizade entre eles se estabelece, com cada um conhecendo melhor o mundo do outro. Lindíssima e divertida obra francesa, que te fará rir e se emocionar.


O grande ditador (The Great Dictator - 1940)




Nesta lista, não poderia faltar o grande gênio da comédia. Este clássico se passa em meio à Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e atrevido, este filme lhe causou sua expulsão dos Estados Unidos, mas criou também uma obra-prima única com uma das melhores mensagens anti-guerra já transmitidas ao homem. Desnecessário dizer que o discurso final no filme é a cena cinematográfica mais bonita e fantástica que já vi em minha vida.


Tempos Modernos (Modern Times - 1936)




Obviamente poderia entrar vários outros filmes de Chaplin, mas pra não ficar demasiado repetitivo, escolhi apenas mais este. Conta a história de um operário que fica louco com o ritmo intenso do trabalho braçal onde consegue o seu ganha pão. Demitido, acaba parando em um hospital. Quando sai, é confundido durante um protesto comunista e acaba preso. Em meio a toda essa confusão, ainda arruma tempo para ajudar uma jovem órfã. Filme engraçadíssimo e extremamente crítico que denunciou a mecanização dos homens e a exploração pelas grandes indústrias.


Forrest Gump - O contador de histórias (Forrest Gump - 1994) 




“A vida é como uma caixa de bombons; você nunca sabe o que vai encontrar dentro.”

Vencedor de seis Oscars, inclusive de melhor filme, este clássico é um dos filmes mais engraçados e mais geniais já feitos. Nele, quarenta anos da história dos Estados Unidos, são vistos pelos olhos de um rapaz com QI abaixo da média que, por obra do acaso, consegue participar de momentos cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate. É dificílimo falar qualquer coisa sobre esta obra-prima, apenas recomendo que vejam e se encantem.


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