sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Morte e o Paradoxo do Amor




A Morte e o Paradoxo do Amor


“Nós poderíamos ter sido
felizes juntos para sempre”
Dostoiévski; “Humilhados e Ofendidos”


A minha alma é triste porque amo, e este amor,
Lúgubre em demasia pelo qual lamento,
Como o vento, me traz o resplendor do alento
E torna meu silêncio belo e encantador.

Sim, pois embora trágico seja o amargor
Que brota deste lindo e feio sentimento,
Lembranças doces de um inefável momento
Cessam, por um momento, a dor interior:

A música da morte já não é sombria
Quanto soara tanto para mim um dia,
Em noites infindáveis de alegre ventura;

Agora ecoa sobre mim terna e suave,
E não há mais, na fria solidão, entrave
Para o último sussurro de minha loucura!


Renan Caíque




Poema recitado por mim, vídeo: