domingo, 1 de março de 2015

A influência negativa das redes sociais em nossa vida pessoal



   Por Renan Tempest


- A rede social é uma das ferramentas mais utilizadas ultimamente, e a cada dia que passa, um número maior de pessoas começa a usá-la. A principal questão é: de que modo negativo e em que grau ela afeta nossa vida no âmbito pessoal? - 



É fato que vivemos num mundo cada vez mais tecnológico, e neste aspecto as redes sociais têm um papel dos mais maiores, principalmente o Facebook e nos últimos tempos o Whatsapp, porque elas têm grande influência no nosso dia a dia, inclusive negativa. Mas quais são tais influências? Bem, uma questão profunda é: “elas fazem as pessoas mais frias e menos sentimentais?” Eu diria que sim, sem generalizar, obviamente. Esta talvez seja a maior influência ruim delas na vida pessoal tanto de quem as utiliza quanto de quem convive com quem as utiliza.

As redes sociais podem aproximar as pessoas, podem ajudar a divulgar o seu trabalho, podem ser uma imensurável fonte de troca de conhecimento, podem mobilizar milhares de pessoas para buscar mudanças em prol do bem comum; podem nos trazer muitas coisas boas, eis uma afirmação inegável. Mas e quando se tornam uma válvula de escape para os desgostos e frustrações da vida? A maior parte das pessoas quer simplesmente descarregar tudo o que sente, e às vezes de forma contrária. Daí muitas vezes quererem passar a imagem de uma falsa felicidade e de uma vida que na verdade é completamente diferente daquilo. O pior é quando a pessoa se torna excessivamente dependente, e se esquece de viver de maneira plena, tendo assim duas vidas: uma real e uma virtual. Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland, nos EUA, em 2011, eles deixaram mil estudantes universitários de 37 países sem acesso à internet e outros meios de comunicação durante 24 horas. Ao fim deste período de tempo cerca de 20% dos estudantes demonstraram uma espécie de síndrome de abstinência tecnológica, e descreveram alguns sentimentos que sentiram como 'desespero', 'vazio' e 'ansiedade', respostas parecidas com as de uma pesquisa feita há pouco tempo pela empresa tecnológica TeleNav, também nos EUA. Ou seja, já se tornou nociva e viciante como uma droga.

Queremos ser aceitos, “manter as aparências”, exprimir opiniões e ideias, ter muitos amigos, mostrar o quanto sabemos do assunto do momento e ficar por dentro de tudo o que acontece, com acesso cada vez mais rápido e fácil, através de aparelhos móveis; podemos atualizar nossos perfis das redes sociais de praticamente qualquer lugar em que estivermos. Devido a tudo isso, a comunicação e as relações têm se tornado sempre mais superficiais e vagas. As interações reais, as conversas “olho no olho”, são a cada dia menos comuns; enquanto a solidão, o egocentrismo, a carência, o narcisismo, o individualismo são crescentes, o que nos faz questionar se tais avanços tecnológicos são realmente uma evolução. Talvez sim, pois depende do uso que fazemos; mas claramente têm nos trazido inúmeros prejuízos. Poderiam ser citados muitos como a falta de segurança e privacidade, a vulgarização do bullying, a pedofilia, a pornografia, o excesso de marketing, a disseminação de informações inúteis com as quais somos bombardeados todos os dias, a desvalorização da língua portuguesa, a falta de incentivo ao estudo e à leitura, etc; poderia citar todos estes problemas, mas eu quis me deter no problema da mecanização das pessoas, que me parece ser o pior ponto negativo das redes sociais.

Definitivamente, somos seres que dependem uns dos outros para viver. Mesmo se “o inferno é os outros” como dizia o filósofo Jean-Paul Sartre, precisamos sim nos relacionarmos com as outras pessoas, por mais que em algumas situações possa parecer desagradável a socialização. E as novas tecnologias estão tentando nos convencer de que não, de que na verdade precisamos mais delas que das pessoas, afinal encontramos tudo o que queremos através da internet, não é? Não, não é. A internet só é útil quando ela serve de complemento para a nossa vida social, e não quando ela toma o seu lugar.


A banalização dos sentimentos através de felicitações frias de aniversário; amizades supérfluas que terminam por causa de comentários que expressam opiniões diferentes; “curtidas”; repetidas frases de autoajuda; declarações exaltadas de amor com emoticons de carinhas sorrindo e corações; tudo isto e muito mais são coisas tristes de se ver, pois nos impede de mostrar plenamente o que há de mais belo na natureza humana: os sentimentos. Se chegar um momento em que as pessoas não expressarem mais emoções e se tornarem robôs, acharemos tudo normal e “sentir” será um crime. As tecnologias podem sim ser muito úteis para a humanidade (já o foram bastante), mas cabe a nós saber como usá-las, sem que nos prejudiquem. Afinal, as tecnologias são para nós as utilizarmos ou para elas nos utilizarem?


Renan Caíque

6 comentários:

  1. Brilhante texto, e mostra uma percepção clara e sem ilusões da falsidade humana.
    No Facebook todo mundo é feliz e tem milhões de amigos. Todo mundo é educado, polido, sociável. Mas por trás das telas, muitos vivem vidas vazias e sem sentido.

    ResponderExcluir
  2. Renan, muito feliz com teu blog. Uma ferramenta excelente pra divulgação do seu trabalho, ajudando a educar mentes. Texto brilhante! Essa superficialidade do padrão tem me afastado cada vez da sociedade. O mundo precisa de menos verniz e mais amor doação. Só assim a vida passa a ter sentido. Bjo e sucesso!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pelo comentário, querida Jeanne! :)

      Excluir
  3. Você falou tudo o que eu sinto a respeito do mundo atual. Tenho notado um mundo diferente, e por isso, já me chamaram até de antissocial. Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir
  4. Parabéns pelo texto, difícil até mesmo encontrar pessoas que conseguem refletir sobre tal fato, e observar que o excesso torna algo nocivo.

    ResponderExcluir