sábado, 31 de outubro de 2015

Lord Byron e seu amor pelos animais


  

O poeta Lord Byron (1788-1824) tinha um grande amor por animais, mais notavelmente por um cão canadense chamado Boatswain. Quando o animal contraiu raiva, Byron cuidou dele até o fim, sem qualquer pensamento ou medo de ser mordido ou infectado. Quando ele morreu, Byron disse: "...Boatswain está morto! Morreu em um estado de loucura no dia 10, depois de sofrer muito, mas ainda mantendo sua natureza gentil até o final, jamais tentando ferir alguém à sua volta."

Embora profundamente endividado no momento, Byron comissionou um impressionante monumento funarário de mármore para Boatswain em Newstead Abbey, maior que o seu próprio, e o único trabalho de construção alguma vez realizado em sua propriedade. Em 1811, Byron pediu que fosse enterrado junto com ele. 

Byron também manteve um urso domesticado, enquanto ele era um estudante no Trinity College Cambridge. Não havendo menção sobre a proibição de criar ursos entre os estatutos, as autoridades da universidade não tinham base legal para a queixa. Byron até sugeriu que ele iria candidatar o urso a uma bolsa de estudos da faculdade.

Durante sua vida, além de inúmeros gatos, cães e cavalos, Byron manteve uma raposa, macacos, uma águia, um corvo, um falcão, pavões, galinhas-d'angola, um gruidae egípcio, texugo, gansos, uma garça-real e uma cabra. Exceto os cavalos, todos eles residiam dentro de casa em suas residências na Inglaterra, Suíça ,Itália e Grécia.

Byron também foi vegetariano, ele acreditava que a carne torna as pessoas agressivas. Em suas obras costumava louvar a natureza e os animais, e criticar os maus tratos que eles sofriam, desde a sua criação para abate até esportes como pesca e testes para pesquisas científicas.


Imagem: Pintura "Sonho de Byron" de Ford Madox Brown (1821-1893), representando Lord Byron, Mary Chaworth e Boatswain.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Regras Básicas do Soneto



por Renan Caíque

O soneto é um poema clássico de forma fixa, ou seja, exige algumas regras atemporais.

Primeiramente, deve ter quatorze versos divididos em 4 estrofes, sendo 2 quartetos e 2 tercetos(soneto italiano). Cada verso deve ter o mesmo número de sílabas poéticas, sendo que podem ter de 1 a 14 sílabas:

Uma sílaba - monossílabos
Duas sílabas - dissílabos
Três sílabas - trissílabos
Quatro sílabas - tetrassílabos
Cinco sílabas - pentassílabos (ou Redondilha Menor)
Seis sílabas - hexassílabos
Sete sílabas - heptassílabos (ou Redondilha Maior)
Oito sílabas - octossílabos
Nove sílabas - eneassílabos
Dez sílabas - decassílabos
Onze sílabas - hendecassílabos
Doze sílabas - dodecassílabos
Treze ou Quatorze sílabas - bárbaros

Obs.: os sonetos com versos de menos de nove sílabas são chamados de sonetilhos.

Escansão(como contar sílabas poéticas):

Contam-se as sílabas gramaticais pela escrita, e as sílabas poéticas pelo som.
Ex: "camisa amarela"

ca(1)/mi(2)/sa(3)/a(4)/ma(5)/re(6)/la(7)  --> sete sílabas gramaticais

ca(1)/mi(2)/sa a(3)/ma(4)/re(5)/la   --> cinco sílabas poéticas

Na escansão, contou-se apenas cinco sílabas poéticas, porque geralmente, pronunciamos "camisamarela", o que faz com que o último "a" de "camisa" se junte com o primeiro "a" de "amarela". Esta junção chama-se elisão. Outra coisa que se pode notar é que na escansão, conta-se só até a última sílaba tônica do verso(ou seja, a sílaba mais forte, como em "amaRElo"). Por exemplo, nestes versos de A. de Azevedo:

"Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!"

A escansão é a seguinte:

Pá(1)/li(2)/da à(3)/luz(4)/da(5)/lâm(6)/pa(7)/da(8)/som(9)/bri(10)/a.
So(1)/bre o(2)/lei(3)/to(4)/de(5)/flo(6)/res(7)/re(8)/cli(9)/na(10)/da,
Co(1)/mo a(2)/lu(3)/a(4)/por(5)/noi(6)/te em(7)/bal(8)/sa(9)/ma(10)/da,
En(1)/tre as(2)/nu(3)/vens(4)/do a(5)/mor(6)/e(7)/la(8)/dor(9)/mi(10)/a!

Elisão: é a junção de duas ou três sílabas de palavras diferentes em apenas uma sílaba.
Ex.: "triste e cansado"   --> "tris/te e/can/sa/do"
"triste e abatido"   -->   "tris/te e a/ba/ti/do"

Sempre que as vogais(ou palavras iniciadas com 'h') forem átonas(som fraco), como nos exemplos acima, elas se juntarão em uma sílaba. Porém, se a sílaba que vier antes for tônica(som forte) e a que vier depois for átona ou tônica, elas não se juntarão.
Ex.:
"Vai! Não leves saudades do que deixas.
Se a fé em melhor mundo te preluz,
 alma gemente, por que assim te queixas?"
(Camilo Castelo Branco)

Vai!(1)/Não(2)/le(3)/ves(4)/sau(5)/da(6)/des(7)/do(8)/que(9)/dei(10)/xas.
Se a(1)/fé(2)/em(3)/me(4)/lhor(5)/mun(6)/do(7)/te(8)/pre(9)/luz(10),
al(1)/ma(2)/ge(3)/men(4)/te,(5)/por(6)/que a(7)/ssim(8)/te(9)/quei(10)/xas?


Repare que no segundo verso, "fé" não se juntou ao "em", porque "fé" é uma sílaba tônica.

E se a que vier antes for átona e a que vier depois for tônica, elas poderão se juntar, mas não é obrigatório.

Ex: "Minh'alma é a Princesa Desalento"
(Florbela Espanca)

"Mi/nh'al/ma é/a Prin/ce/sa/De/sa/len/to"

Repare que o "ma" de "minh'alma", juntou-se ao "é". O "ma" é átono e o "é" é tônico.

Resumindo:
ÁTONA+ÁTONA= elisão obrigatória
ÁTONA+TÔNICA= elisão facultativa
TÔNICA+ÁTONA ou TÔNICA+TÔNICA= não pode haver elisão

Obs.: no caso TÔNICA+ÁTONA, há divergências entre autores, que consideram que em alguns casos é possível a elisão, dependendo do som.

Sinérese e Diérese:

Sinérese - é a contração de duas sílabas de uma mesma palavra em uma sílaba. Por exemplo, a escansão da palavra "diálogo" é " di/á/lo/go". Porém, se o autor quiser ele pode usar a sinérese que faz com que a divisão fique assim "diá/lo/go".
Diérese - é o inverso da sinérese. Por exemplo, a divisão da palavra "sombrio" é "som/bri/o". Porém, se o autor quiser ele pode usar a diérese que faz com que a divisão fique "som/brio".
A sinérese e a diérese são recursos facultativos geralmente usados caso falte sílabas ou tenha sílabas a mais.

Quanto às rimas, os esquemas mais comuns são:

Nos quartetos -

Opostas(ABBA)
Ex.:
"Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!"
(Florbela Espanca)

Alternadas(ABAB)
Ex.:
"E a alma pura nos seus olhos brilha
Em desmaiado véu,
Como de um anjo na cheirosa trilha
Respiro o amor do céu!"
(Álvares de Azevedo)

Emparelhadas(AABB)
Ex.:
"Mais que a sombra da noite ele subiu, além;
Inveja nem calúnia, ódio nem dor também,
Nem esta inquietação que é dita, e mal, prazer,
Podem tocá-lo ou fazê-lo mais sofrer..."
(Percy Bysshe Shelley/ Trad.: Péricles Eugênio)

E nos tercetos:
CCD/EED
Ex.:
"Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos)

CDC/DCD
Ex.:
"Tudo é podre no mundo! Que me importa
Que ele amanhã se esboroe e que desabe,
Se a natureza para mim é morta!

É tempo já que o meu exílio acabe...
Vem, pois, ó Morte ao nada me transporta...
Morrer... dormir... talvez sonhar... quem sabe?"
(Francisco Otaviano)

As rimas podem ser:

- Perfeitas(ou Soantes): quando possuem sonoridade idêntica e uma semelhança gráfica na terminação.
Ex.: Tristeza/Beleza, Coração/Solidão, Partida/Querida, Sonhar/Luar

- Imperfeitas(ou Toantes): quando a sonoridade e/ou a grafia na terminação são diferentes.
Ex.: Estrela/Bela, Mais/Traz, Boca/Foca, Angústia/Hóstia, Pranto/Plano

- Ricas: quando as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes.
Ex.: Lua/Tua, Sorria/Sombria, Derredor/ Redentor/ Também/Desdém

- Pobres: quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical.
Ex.: Dor/Amor, Amar/Chorar, Vento/Lamento, Delicioso/ Pomposo

- Raras: aquelas que têm poucas rimas entre si, e justamente por isto são pouco usadas.
Ex.:Pântanos/ Encanta-nos, Língua/Distingo-a, Tisne/Cisne, Águia/Alague-a, Múmias/Resume-as

- Agudas(ou Masculinas): quando oxítonas ou monossílabos rimam.
Ex.: Mar/Ar, Fé/Até, Só/Pó

- Graves(ou Femininas): quando paroxítonas rimam.
Ex.: Vinho/Caminho, Noite/Açoite, Sorriso/Paraíso

- Esdrúxulas: quando proparoxítonas rimam.
Ex.: Tétrica/Métrica, Romântico/Cântico, Pálido/Cálido.

- Externas: ocorre no final do verso.
Ex.:
"Embora o dia volte muito cedo
E a noite fosse feita para amar
Não mais iremos vaguear
Ao luar."
(Lord Byron/Trad.: Péricles Eugênio)

-Internas: ocorre no interior do verso.
Ex.: "No fim da alameda
há raios e papagaios
de papel de seda."
(Guilherme de Almeida)

Ritmo: Existem vários ritmos diferentes. No soneto, o mais comum de todos é o ritmo heroico em versos decassílabos. Um verso em ritmo heroico é aquele que tem dez sílabas, sendo que a 6ª sílaba e a 10ª devem ser tônicas.
Ex.:
"Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,"
(Machado de Assis)

Querida, ao pé do LEIto derraDEIro
Em que des can sas DESsa longa VI/da

Outro ritmo bem comum é o sáfico, que deve ter tônicas na 4ª, na 8ª e na 10ª sílaba.
Ex.:
"Branca e sinistra no clarão dos círios!"
(Cruz e Sousa)

Branca e siNIStra no claRÃO dos CÍrios!

Existem também várias outros ritmos menos usuais como Gaita Galega(4ª, 7ª e 10ª), martelo agalopado(3ª, 6ª e 10ª), pentâmetro iâmbico(2ª, 4ª, 6ª, 8ª e 10ª), entre outros.
  E caso o autor queira, pode-se misturar ritmos num mesmo poema.
Ex.:
"As torres brancas, terminando em setas,
Onde velam, nas noites infinitas,"
(Alphonsus de Guimaraens)

O primeiro é sáfico e segundo heroico:

As torres BRANcas, terminNANdo em SEtas,
Onde velam, nas NOItes infiNItas,

Ou mesmo em um mesmo verso.
Ex.:

"Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável"
(Junqueira Freire)

Os dois versos são ao mesmo tempo heroicos e o sáficos:

Arda de RAIva CONtra MIM a inTRIga,
Morra de DOR a inVEja insaciÁvel


Enfim, basicamente, são estas a regras de métrica, rima e ritmo para serem usadas em sonetos ou em poesias comuns ou outras formas fixas como a Trova, que é uma composição de apenas quatro versos, sendo que cada um deve ter obrigatoriamente sete sílabas.

Ex.:
"Se amor dura até a morte,
Constância eterna hei de ter;
Se amor dura só na vida,
Hei de amar-te até morrer."


Soneto Inglês(ou Shakespeariano): tipo de soneto criado por Shakespeare que consiste em 3 quartetos e um dístico, geralmente com esquema de rimas ABAB/CDCD/EFEF/GG.

Ex.:

"SONETO INGLÊS No. 1

Quando a morte cerrar meus olhos duros
- Duros de tantos vãos padecimentos,
Que pensarão teus peitos imaturos
Da minha dor de todos os momentos?

Vejo-te agora alheia, e tão distante:
Mais que distante - isenta. E bem prevejo,
Desde já bem prevejo o exato instante
Em que de outro será não teu desejo,

Que o não terás, porém teu abandono,
Tua nudez! Um dia hei de ir embora
Adormecer no derradeiro sono.
Um dia chorarás... Que importa? Chora.

Então eu sentirei muito mais perto
De mim feliz, teu coração incerto."
(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Morte e o Paradoxo do Amor




A Morte e o Paradoxo do Amor


“Nós poderíamos ter sido
felizes juntos para sempre”
Dostoiévski; “Humilhados e Ofendidos”


A minha alma é triste porque amo, e este amor,
Lúgubre em demasia pelo qual lamento,
Como o vento, me traz o resplendor do alento
E torna meu silêncio belo e encantador.

Sim, pois embora trágico seja o amargor
Que brota deste lindo e feio sentimento,
Lembranças doces de um inefável momento
Cessam, por um momento, a dor interior:

A música da morte já não é sombria
Quanto soara tanto para mim um dia,
Em noites infindáveis de alegre ventura;

Agora ecoa sobre mim terna e suave,
E não há mais, na fria solidão, entrave
Para o último sussurro de minha loucura!


Renan Caíque




Poema recitado por mim, vídeo:




segunda-feira, 2 de março de 2015

10 Grandes Filmes Filosóficos (Parte2)


   Eis a parte 2 de uma lista de filmes que, em minha opinião, qualquer pessoa que goste de filosofia ou veja o cinema como arte(e não apenas como entretenimento) deveria ver:


Para ver a parte 1, clique aqui.

por Renan Caíque

10 - Os Agentes do Destino:

“A maioria vive a vida no caminho que traçamos, com medo de explorar outro. Mas, de vez em quando, surgem pessoas como você, que superam todos os obstáculos que colocamos no caminho. Quem encara o livre arbítrio como dom, nunca saberá usá-lo até lutar por ele. Creio que esse é o verdadeiro plano do Presidente. E, talvez, um dia, nós não escreveremos o plano. Vocês o farão.”





"Os Agentes do Destino" é um filme de 2011, dirigido e escrito pelo George Nolfi, com roteiro baseado no conto "Adjustment Team" de Philip K. Dick. David Norris (Matt Damon) é um jovem político com uma carreira promissora, mas um escândalo atrapalhou a sua corrida ao Senado. Tão logo perde a disputa pela vaga ele conhece Elise (Emily Blunt), bailarina por quem se apaixona. Contudo, homens com estranhos poderes de interferir no futuro aparecem do nada e começam a pressioná-lo para que ele não dê continuidade a este romance, porque isso poderá atrapalhar o futuro de ambos. Sem saber ao certo quem são essas pessoas, a única certeza que David possui é que precisará reunir forças para enfrentá-los e encarar o que o destino lhe reserva.

Belo filme, cujos principais temas são o livre arbítrio e o determinismo. O filme questiona se somos tão livres quanto às vezes pensamos ser, se existe uma espécie de "deus" que controla as nossas vidas e já tem todo um plano traçado pra nós, e mesmo caso exista este plano se somos capazes de mudá-lo ou se ao menos temos ousadia e coragem para tal; o que se fosse possível faria de nós também uma espécie de "deuses".


9 - O Diabo, provavelmente:


"Mas se eu fizesse algo, eu estaria sendo útil, mesmo que minimamente, a um mundo que eu desprezo. Eu trairia minhas ideias. Apenas me cerraria ainda mais. Eu prefiro saber que não há saída.(...) Só quero o direito de ser eu mesmo. Não quero ser forçado a deixar de querer, substituir meus verdadeiros desejos por falsos, baseados em estatísticas, pesquisas, fórmulas, classificações científicas ultra-imbecis Americanas-Russas. Não quero ser um escravo ou um especialista."





"O Diabo, provavelmente" é um filme francês de 1977, de Robert Bresson. Contada num flashback a estória de Charles, um adolescente parisiense que anda pela cidade sem futuro aparente, rejeitando o claustrofóbico e superficial estilo de vida moderno. Quando sua família, amigos e psiquiatra não conseguem ajudá-lo a achar um caminho, ele começa a se relacionar com duas mulheres e um hippie. Bresson lança um olhar impiedoso sobre o mundo de hoje e a destruição da natureza e das formas de vida. Uma reflexão sombria feita a partir da descoberta de um cadáver, o corpo de um homem cuja única resposta para o estado do mundo é o suicídio.

Este é um filme existencialista sobre o vazio, o "spleen", a solidão e a melancolia, e que critica as superficialidades e padrões do mundo em que vivemos. Charles, o protagonista, é um jovem em depressão, extremamente pessimista e descrente em relação ao mundo. Ele vive vagando à procura de um sentido em sua vida, mas só encontra a decadência e a podridão humana, o que o faz entender que ele também faz parte dessa futilidade, e logo sua vida também não tem valor, o que resulta em ele dar um fim a si mesmo.


8 - Matrix: 

"O que é real? Como você define o 'real'? Se você está falando sobre o que você pode sentir, o que você pode cheirar, o que você pode saborear e ver, o real são simplesmente sinais elétricos interpretados pelo seu cérebro."





Matrix é um filme de 1999, dirigido pelos irmãos Wachowski. Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Em todas essas ocasiões, acorda gritando no exato momento em que os eletrodos estão para penetrar em seu cérebro. À medida que o sonho se repete, Anderson começa a ter dúvidas sobre a realidade. Por meio do encontro com os misteriosos Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.

Sempre citado nas listas de filmes filosóficos, esta é uma grande obra, "o mito da caverna moderno", com muitas referências religiosas (hinduístas,budistas, etc), literárias e filosóficas. Questiona o quanto há de real em nossa vida, o quanto somos manipulados e escravizados pelo sistema, e o que podemos fazer pra mudar isso e deixar de levar uma vida vaga de sentimentos, só de trabalho, mesmices e condicionamentos que obtemos desde de crianças. Uma clássica questão também que o filme põe ao telespectador é se é melhor viver ilusoriamente feliz na ignorância ou sofrer sabendo a verdade.


7 - O Mundo de Sofia:


"Por diferentes motivos, a maioria das pessoas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida."






"O Mundo de Sofia" é um filme norueguês de 1999.Sinopse: Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para alguém chamada Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.

Este é para os amantes da filosofia em seu sentido mais acadêmico, e deveria ser obrigatório em todas as escolas. Do início ao fim, é uma verdadeira aula sobre a história da filosofia e os seus principais fundamentos e ideias, desde os pré-socráticos até aos pós-modernos, de um modo leve e divertido. É muitíssimo recomendado para quem quer se iniciar na filosofia, de modo diferente do habitual que se vê nas escolas, onde geralmente é visto como algo chato e sem importância.



6 - A Onda:


"Sim, cometemos erros, mas nós podemos corrigi-los!"



Filme alemão de 2008 baseado numa história real. Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de "A Onda" ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar "A Onda" pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com "A Onda", mas aí já é tarde demais.

Em mundo tão vazio e amedrontador, muitas pessoas são tentadas a fazer parte de algum grupo para se sentirem menos incompletas e com a sensação de que não estão sozinhas. Este filme mostra de forma genial, como se pode fazer uma ditadura e manipular as massas, através da manipulação baseada em tais debilidades humanas.


5 - Ela:

"Apaixonar-se é uma loucura. É como uma forma de insanidade socialmente aceitável"




Her (no Brasil, "Ela") é um filme estadunidense de comédia dramática, ficção científica e romance de 2013 escrito, dirigido e produzido por Spike Jonze. O filme é estrelado por Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde, e Scarlett Johansson como a voz de Samantha. Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos.

Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia; o isolamento das pessoas entre si devido a ela e à sua supervalorização. O filme mostra a influência dos meios de comunicação e como a humanidade está se mecanizando. As tecnologias que deveriam ser um complemento para facilitar a nossa vida, cada vez mais acabam dificultando ao substituírem pessoas e relações reais.


4 - Na Natureza Selvagem:


"É inegável que viver sem lenço nem documento sempre nos alegrou. Isso está associado em nossas mentes com fugir do passado, da opressão, da lei e de obrigações maçantes. A liberdade absoluta. E a estrada sempre conduziu ao oeste."





Into the Wild (Na Natureza Selvagem) é um filme biográfico de drama estadunidense de 2007 escrito e dirigido por Sean Penn. É uma adaptação do livro de não-ficção de mesmo nome de 1996 de Jon Krakauer baseado nas viagens de Christopher McCandless através da América do Norte e sua vida passada no deserto do Alaska no início da década de 1990. Sinopse: Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

Eis um dos filmes mais lindos a que já assisti, e também um dos que mais me fez refletir. É uma belíssima e feroz crítica à sociedade materialista e consumista, e uma ode à natureza e à liberdade. O filme é baseado na história real de Christopher McCandless, que cansado de viver num mundo de aparências e futilidades, parte em uma jornada pelo desconhecido, buscando viver plenamente, aproveitando cada momento em meio à pureza das coisas naturais, longe de qualquer corrupção.


3 - Vanilla Sky:


"Cada minuto que passa é uma nova chance para mudar tudo para sempre."




Vanilla Sky é um filme norte-americano de 2001, do gênero drama, com roteiro e direção de Cameron Crowe. O filme é uma refilmagem do filme espanhol Abre los ojos, de 1997. Em Nova York são narrados em flashback fatos angustiantes da vida de David Aames (Tom Cruise), um jovem empresário que é dono de um império editorial. David tem sua vida modificada quando conhece Sofia Serrano (Penélope Cruz), uma bela jovem por quem se apaixona .Tal relacionamento desperta ciúmes em Julie Gianni (Cameron Diaz), uma "amizade colorida" de Davis, que quer muito mais que mero envolvimento sexual com ele. Um dia, após sair da casa de Sofia, David encontra Julie, que usando o pretexto de querer conversar com ele o convence a entrar no carro dela. Em um ímpeto de loucura, e cega por se sentir preterida, ela lança o carro por cima de um viaduto. Ela não resiste ao impacto e morre. David sobrevive, mas fica com o rosto bem desfigurado e entra em coma, ficando neste estado por três semanas. Ao se ver David fica traumatizado e oferece qualquer quantia para reconstruírem seu rosto. Repentinamente realidade e fantasia se confundem de forma assustadora.

O que é verdadeiro? O que é sonho? Mais um filme que de maneira genial questiona a realidade e nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos e as suas consequências das quais não podemos apagar se quisermos, mas que cabe a nós pensar melhor no futuro. E ainda, nos faz pensar que a cada minuto que passa podemos mudar completamente as nossas vidas e criarmos a nossa própria realidade.


2 - A Árvore da Vida:


“Eu achei que ser poderoso me daria a condição de ser amado.” 






The Tree of Life é um filme estadunidense de 2011, escrito e dirigido por Terrence Malick e estrelado por Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain. Os O'Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain) tiveram três filhos, criados com grande rigidez pelo pai. O mais velho deles, Jack (Sean Penn), sempre teve atritos com o pai, em parte por reconhecer em si mesmo um pouco dele. Além disto, já adulto, Jack enfrenta um forte sentimento de culpa devido à morte de seu irmão. O filme mostra as origens e o significado da vida através dos olhos de uma família da década de 1950 no Texas, tendo temas surrealistas e imagens atráves do espaço e o nascimento da vida na Terra.

Difícil falar deste filme, uma obra tão magnífica e complexa. É uma show de imagens e uma viagem do início ao fim. Basicamente fala da existência e as suas questões mais essenciais: "Como a mundo foi criado?", "Existe um Deus?", "Há vida após a morte?", "Há razões para as perdas e o sofrimento?", etc. É uma obra-prima que o tempo todo nos faz refletir através de simbolismos extremamente poéticos e cheios de significados, mas que talvez tenha sido feito mais para sentir do que para tentar entender.


1 - A Viagem(Cloud Atlas):

“Nossas vidas não são nossas. Desde o útero até ao túmulo, somos ligados a outra pessoa. No passado e no presente. E com cada crime, e cada boa ação, fazemos renascer o futuro.” 





Cloud Atlas (no Brasil: A Viagem) é um filme de ficção científica e drama, escrito e dirigido por Andy, Lana Wachowski e Tom Tykwer. Foi adaptado a partir do romance de 2004 por David Mitchell. O filme consiste de seis histórias entrelaçadas abrangendo diferentes épocas. De acordo com o autor David Mitchell, a estrutura é como "uma espécie de mosaico pontilhista". No filme, embora pareça apenas um mosaico de histórias independentes, há elementos indicadores das conexões das vidas (reencarnações) dos personagens. É um filme complexo, com difícil entendimento sob apenas uma sessão ao se assistir; contudo com um conteúdo muito rico ao seguir um desenvolvimento (trama) não linear. O sinal "de nascença", o cometa, em um personagem a cada período possibilitaria interpretar a sua linha de reencarnações e as conexões com os demais personagens. O Diretor conseguiu realizar um trabalho muito bem feito de contar a história. Tanto o encadeamento paralelo de sequências, quanto a montagem não linear quanto a linha temporal, e também o tema musical produzem um resultado surpreendente: essa percepção é dependente de uma revisita ao filme (mais de três vezes) e também de recorrer a repetição de partes específicas para recuperar detalhes (muito bem camuflados) inseridos no fluxo natural da história total.

Primeiramente, vale mencionar que este filme foi feito pelos irmãos Wachowski, os mesmos por trás de V de Vingança e Matrix, o que é grande mérito. Além disso, o elenco é riquíssimo com atores como Tom Hanks, Hugh Grant, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw(genial como sempre) e James d'Arcy. Bem, este não é um filme ao qual devemos assistir apenas uma vez, tanto pela sua complexidade quanto pela sua beleza. O filme trata de forma filosófica de temas como ação e reação, reencarnação e o livre arbítrio e mostra como todos os seres humanos estão ligados e na verdade são todos parecidos e ainda como podemos mudar a história e devemos questionar tradicionalismos que apenas atrasam o progresso; isto através de diálogos e imagens que a cada minuto provocam reflexões e admiração.

domingo, 1 de março de 2015

A influência negativa das redes sociais em nossa vida pessoal



   Por Renan Tempest


- A rede social é uma das ferramentas mais utilizadas ultimamente, e a cada dia que passa, um número maior de pessoas começa a usá-la. A principal questão é: de que modo negativo e em que grau ela afeta nossa vida no âmbito pessoal? - 



É fato que vivemos num mundo cada vez mais tecnológico, e neste aspecto as redes sociais têm um papel dos mais maiores, principalmente o Facebook e nos últimos tempos o Whatsapp, porque elas têm grande influência no nosso dia a dia, inclusive negativa. Mas quais são tais influências? Bem, uma questão profunda é: “elas fazem as pessoas mais frias e menos sentimentais?” Eu diria que sim, sem generalizar, obviamente. Esta talvez seja a maior influência ruim delas na vida pessoal tanto de quem as utiliza quanto de quem convive com quem as utiliza.

As redes sociais podem aproximar as pessoas, podem ajudar a divulgar o seu trabalho, podem ser uma imensurável fonte de troca de conhecimento, podem mobilizar milhares de pessoas para buscar mudanças em prol do bem comum; podem nos trazer muitas coisas boas, eis uma afirmação inegável. Mas e quando se tornam uma válvula de escape para os desgostos e frustrações da vida? A maior parte das pessoas quer simplesmente descarregar tudo o que sente, e às vezes de forma contrária. Daí muitas vezes quererem passar a imagem de uma falsa felicidade e de uma vida que na verdade é completamente diferente daquilo. O pior é quando a pessoa se torna excessivamente dependente, e se esquece de viver de maneira plena, tendo assim duas vidas: uma real e uma virtual. Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland, nos EUA, em 2011, eles deixaram mil estudantes universitários de 37 países sem acesso à internet e outros meios de comunicação durante 24 horas. Ao fim deste período de tempo cerca de 20% dos estudantes demonstraram uma espécie de síndrome de abstinência tecnológica, e descreveram alguns sentimentos que sentiram como 'desespero', 'vazio' e 'ansiedade', respostas parecidas com as de uma pesquisa feita há pouco tempo pela empresa tecnológica TeleNav, também nos EUA. Ou seja, já se tornou nociva e viciante como uma droga.

Queremos ser aceitos, “manter as aparências”, exprimir opiniões e ideias, ter muitos amigos, mostrar o quanto sabemos do assunto do momento e ficar por dentro de tudo o que acontece, com acesso cada vez mais rápido e fácil, através de aparelhos móveis; podemos atualizar nossos perfis das redes sociais de praticamente qualquer lugar em que estivermos. Devido a tudo isso, a comunicação e as relações têm se tornado sempre mais superficiais e vagas. As interações reais, as conversas “olho no olho”, são a cada dia menos comuns; enquanto a solidão, o egocentrismo, a carência, o narcisismo, o individualismo são crescentes, o que nos faz questionar se tais avanços tecnológicos são realmente uma evolução. Talvez sim, pois depende do uso que fazemos; mas claramente têm nos trazido inúmeros prejuízos. Poderiam ser citados muitos como a falta de segurança e privacidade, a vulgarização do bullying, a pedofilia, a pornografia, o excesso de marketing, a disseminação de informações inúteis com as quais somos bombardeados todos os dias, a desvalorização da língua portuguesa, a falta de incentivo ao estudo e à leitura, etc; poderia citar todos estes problemas, mas eu quis me deter no problema da mecanização das pessoas, que me parece ser o pior ponto negativo das redes sociais.

Definitivamente, somos seres que dependem uns dos outros para viver. Mesmo se “o inferno é os outros” como dizia o filósofo Jean-Paul Sartre, precisamos sim nos relacionarmos com as outras pessoas, por mais que em algumas situações possa parecer desagradável a socialização. E as novas tecnologias estão tentando nos convencer de que não, de que na verdade precisamos mais delas que das pessoas, afinal encontramos tudo o que queremos através da internet, não é? Não, não é. A internet só é útil quando ela serve de complemento para a nossa vida social, e não quando ela toma o seu lugar.


A banalização dos sentimentos através de felicitações frias de aniversário; amizades supérfluas que terminam por causa de comentários que expressam opiniões diferentes; “curtidas”; repetidas frases de autoajuda; declarações exaltadas de amor com emoticons de carinhas sorrindo e corações; tudo isto e muito mais são coisas tristes de se ver, pois nos impede de mostrar plenamente o que há de mais belo na natureza humana: os sentimentos. Se chegar um momento em que as pessoas não expressarem mais emoções e se tornarem robôs, acharemos tudo normal e “sentir” será um crime. As tecnologias podem sim ser muito úteis para a humanidade (já o foram bastante), mas cabe a nós saber como usá-las, sem que nos prejudiquem. Afinal, as tecnologias são para nós as utilizarmos ou para elas nos utilizarem?


Renan Caíque

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reflexões sobre a amizade



Há uma obra de Aristóteles sobre ética em que ele fala sobre a amizade, e a considera como uma virtude essencial a todo ser humano, dizendo que ninguém conseguiria ou escolheria viver sem amigos.
Concordo. Amizade para mim é algo muito raro e especial, e não as relações superficiais que são tão comuns hoje em dia e que erroneamente se chama de amizade, por isto sempre tive e ainda tenho pouquíssimos amigos. Eu definiria a amizade entre duas pessoas talvez como "uma sincera e grande apreciação e estima recíprocas da essência uma da outra", ou seja, gostar de uma pessoa como ela realmente é, respeitando e convivendo com as peculiaridades, mas não só gostar; amar fraternalmente e considerar esta pessoa muito importante em sua vida de um modo que se ela faltasse, sempre se lembraria dela com pensamentos saudosos.
É o que sinto com cada uma dos poucos que considero como amigos. Ainda não estou certo sobre o amor, mas creio que seja isto, porém mais forte e movido muito mais pelos sentimentos e pelos impulsos.