sexta-feira, 8 de agosto de 2014

10 Grandes Filmes Filosóficos (parte 1)


   Eis uma lista de filmes que, em minha opinião, qualquer pessoa que goste de filosofia ou veja o cinema como arte(e não apenas como entretenimento) deveria ver:
(Para ver a parte 2: clique aqui.)

por Renan Caíque


10 - O Show de Truman - O show da vida:

“Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes.” 


O Show de Truman: O show da vida é um filme norte-americano de 1998 dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol. Sinopse: conta a história de Truman Burbank (Jim Carrey), um pacato vendedor de seguros que leva um vida simples com sua esposa Meryl Burbank (Laura Linney). Porém algumas coisas ao seu redor fazem com que ele passe a estranhar sua cidade, seus supostos amigos e até sua mulher. Após conhecer a misteriosa Lauren (Natascha McElhone), ele fica intrigado e acaba descobrindo que, desde que nasceu, ele é o astro, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.

O filme; repleto de analogias a obras religiosas, literárias e filosóficas, tais como "A Bíblia", "Utopia" de Thomas Moore e "O mito da caverna" de Platão; faz uma belíssima crítica à influência e à manipulação da mídia sobre a população e mostra como as minorias que detêm o poder abusam dele, chegando ao ponto de se acharem deuses. O filme também questiona a realidade, o que deveras é verdadeiro e o que é falso. Truman, talvez seja uma representação de nós, seres subordinados em um sistema opressor, preocupados com as futilidades do dia-dia.


9 - Gênio Indomável:

"As crises nos acordam para as coisas boas que não percebemos"



Gênio Indomável é um filme norte-americano de 1997, do gênero drama, dirigido por Gus Van Sant. Sinopse: Em Boston, um jovem de 20 anos (Matt Damon) que já teve algumas passagens pela polícia e que trabalha como zelador em uma universidade, revela-se um gênio da matemática e, por determinação legal, precisa fazer terapia, mas nada funciona, pois ele debocha de todos os analistas, até se identificar com um deles, Sean(Robin Williams).

Sem dúvida um dos melhores filmes da década de 1990! Do começo ao fim, o filme é constituído de diálogos belos e reflexivos, e atuações sensacionais. A crise existencial do jovem gênio perdido entre dois mundos, um simples em que ele é supostamente livre e pode fazer o que quiser e outro em que supostamente é aprisionado, nos toca e nos faz pensar sobre as nossas vidas e o que nós mesmos fazemos dela, com ou sem influências externas. É um filme sobre escolhas e oportunidades, tanto as que encontramos pela frente quanto as que criamos.


8 - Laranja Mecânica:

"A virtude vem de nós mesmos. É uma escolha que só a nós pertence. Quando um homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem."




Bem, uma lista de filmes filosóficos, sem ao menos algum de Stanley Kubrick, seria injusta, então vamos lá:
Laranja Mecânica é um filme anglo-estadunidense de 1971 escrito, produzido e dirigido por Stanley Kubrick, adaptado do romance de Anthony Burgess de 1962 com o mesmo nome. No futuro, o violento Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele recebe a opção de participar em um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.

Decerto um dos filmes mais polêmicos da história, sobretudo pelas cenas de nudez e violência, mas também um dos mais ricos. O próprio autor do livro chamou-o de "brilhante". Malcolm McDowell dá uma aula de interpretação, numa das melhores atuações já vistas no cinema. Pode-se dizer que o filme é um tratado sobre a violência em nossa sociedade e uma análise de seu impacto na juventude. Além disso, contém muitas críticas sociais ao Estado e à sua tentativa de ressocialização de criminosos.


7 - O Curioso Caso de Benjamin Button:

"Para as coisas importantes, nunca é tarde demais, ou no meu caso, muito cedo, para sermos quem queremos. Não há um limite de tempo, comece quando quiser. Você pode mudar ou não. Não há regras. Podemos fazer o melhor ou o pior. Espero que você faça o melhor. Espero que veja as coisas que a assustam. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com diferentes opiniões. Espero que viva uma vida da qual se orgulhe. Se você achar que não tem, espero que tenha a força para começar novamente."



O Curioso Caso de Benjamin Button  é um filme de drama estadunidense lançado em 2008, baseado em um conto homônimo lançado em 1921 pelo escritor F. Scott Fitzgerald. O filme foi dirigido por David Fincher e escrito por Eric Roth. O filme recebeu 13 nomeações ao Oscar. Sinopse: Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver.

Desde a primeira vez que assisti a este filme fiquei completamente fascinado, e desde então já o vi várias outras vezes, sempre com o mesmo entusiasmo. É um dos únicos casos em que a adaptação cinematográfica ficou superior à obra literária. O motivo? O conto de Fitzgerald é vazio e insosso; e a única coisa que o roteirista do filme pegou dele foi a base da história, ou seja, uma pessoa que nasce velha e com o passar do tempo vai rejuvenescendo, uma ideia genial e que o roteirista soube desenvolver com maestria. Além do roteiro, a grande beleza do filme está nas reflexões postas a todo momento, principalmente sob a perspectiva do protagonista, que mais que qualquer um sente a dor da perda. Talvez o principal tema discutido em "O Curioso Caso de Benjamin Button" seja o tempo e o seu poder sobre nós, mas também o nosso poder sobre ele, pois nós decidimos como usá-lo. Interessante também no filme é a mudança do clima, ora cômico ora melancólico, mas sempre propício à reflexão, fazendo lembrar inclusive "Forrest Gump" do mesmo roteirista.


6 - A Vila

"As vezes não fazemos o que queremos, para que os outros não saibam o que queremos fazer."


   

A Vila é um filme norte-americano de drama e suspense de 2004, escrito e dirigido por M. Night Shyamalan. Sinopse: Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranquila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que o cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de "Aqueles que não mencionamos". O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker (William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas e o caos tome conta da vila.

Poucos filmes me impressionaram tanto quanto este, e infelizmente ele é muito subestimado. A fotografia e a trilha-sonora são incrivelmente belas e as atuações impecáveis O roteiro que tem muito de "O mito da caverna" de Platão é fascinante, prende a atenção do começo ao fim. Poético, filosófico e extremamente original, este filme fala de tudo e mais um pouco(para quem sabe enxergar, é claro). Eis um filme que nos faz refletir sobre assuntos como a suposta existência de Deus, o poder de manipulação das religiões, o medo do novo e do desconhecido, a utopia de uma sociedade ideal, a inocência, a vida e a solidão.


5 - Poder Além da Vida

"Todos lhe dizem o que fazer e o que é bom pra você. Não querem que você encontre suas próprias respostas. Querem que você acredite nas respostas deles. Pare de escutar os outros e ouça o que tem no seu interior."


Poder Além da Vida é um filme norte-americano de 2006, baseado no livro auto-biográfico Way of the Peaceful Warrior de Dan Millman. Sinopse: Dan Millman é um talentoso ginasta com sonhos Olímpicos. Ele tem tudo: troféus, amigos, motos velozes, belas garotas e festas “animais”. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando conhece Sócrates (Nick Nolte), um homem estranho e misterioso capaz de entrar em contato com novos mundos de força e compreensão. Após um grave acidente, Sócrates e a jovem Joy (Amy Smart) ajudam Dan a descobrir que ainda há muito a aprender, e muito mais para deixar para trás, antes de se tornar um “Guerreiro da Paz” e encontrar seu destino.

Este é um dos mais filosóficos! A cada minuto pode-se extrair valiosas lições de vida, ora através de diálogos ora através de imagens. Repleto de ensinamentos de filósofos clássicos, principalmente orientais, o filme é uma ode à evolução interior e ao desapego do fútil. Fala do desperdício de tempo, como se deve saber priorizar atitudes que nos tornam pessoas melhores sobre desejos do momento, e o poder latente que todo ser humano possui, porém a maioria desconhece.


4 - Quando Nietzsche Chorou:

"Tive uma repentina e dolorosa compreensão do óbvio. O tempo é irreversível. As areias de minha vida estão se esgotando. Estou no mesmo passo... de todas as pessoas, marchando para a morte [...] Sou impotente e insignificante, sim. Não significa que a vida não tenha propósito. Não, conforme a morte se aproxima, aumenta o valor da vida. Você deve aprender a dizer sim, a cada minuto da vida. Seja impetuoso, um livre-pensador. Supere suas limitações."


Quando Nietzsche Chorou é um filme de 2007, baseado no livro homónimo de Irvin D. Yalom, e dirigido por Pinchas Perry . Sinopse: conta a história de um encontro fictício entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (Armand Assante) e o médico Josef Breuer (Bem Cross), professor de Sigmund Freud (Jamie Elman). Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido, pobre e com tendência suicidas. Breuer passa por uma má fase após ter se envolvido emocionalmente com uma de suas pacientes, Bertha (Michal Yannai), com quem cria uma obsessão sexual e fica completamente atormentado. Breuer é procurado por Lou Salome (Kather Winnick), amiga de Nietzsche, com quem teve um relacionamento atribulado. Ela está empenhada em curá-lo de sua depressão e desespero, assim pede ao médico que o trate com sua controversa técnica da “terapia através da fala”. O tratamento vira uma verdadeira aula de psicanalise, onde os dois terão que mergulhar em si próprios, num difícil processo de auto-conhecimento. Eles então descobrem o poder da amizade e do amor.
   
Apesar de ser uma história fictícia, é um filme obrigatório a todo fã de Nietzsche ou simplesmente a alguém que ame filosofia. O livro é ótimo, e a adaptação cinematográfica ficou perfeita. A trilha-sonora é incrível, conta com mestres como Wagner, Strauss, Beethoven, Rossini, Tchaikovsky e Brahms; e grande parte dos diálogos foram retirados das obras de Nietzsche. Um filme que além de fazer o telespectador pensar a todo momento, também emociona.


3 - Sociedade dos Poetas Mortos

“Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos.”


Sociedade dos Poetas Mortos é um filme estadunidense de 1989 , do gênero drama, dirigido por Peter Weir. Sinopse: em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a "Sociedade dos Poetas Mortos".

O filme tem muitas citações de autores clássicos da literatura, como Henry Thoreau, Walt Whitman e Lord Byron, e uma bela mensagem inspirada na afamada expressão latina Carpe diem que significa "aproveite o dia", ou seja, "desfrute da vida, pois ela é breve". O filme a todo momento nos incentiva a não perdermos nenhuma oportunidade, " a tornarmos as nossas vidas extraordinárias" e a aplicarmos realmente os conhecimentos que adquirimos, e não apenas mantê-los aprisionados em nosso intelecto, para que assim alcancemos a verdadeira liberdade. Simplesmente inspirador!

2 - Clube da Luta:

"Seu emprego não é o que você é, nem o quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco. Nem o carro que dirige, nem o que tem dentro da sua carteira. Você é uma merda ambulante do mundo."



Clube da Luta é um filme norte-americano de 1999 dirigido por David Fincher. É baseado em romance homônimo de Chuck Palahniuk, publicado em 1996. Sinopse: Jack (Edward Norton) é um executivo jovem, trabalha como investigador de seguros, mora confortavelmente, mas ele está ficando cada vez mais insatisfeito com sua vida medíocre. Para piorar ele está enfrentando uma terrível crise de insônia, até que encontra uma cura inusitada para o sua falta de sono ao frequentar grupos de auto-ajuda. Nesses encontros ele passa a conviver com pessoas problemáticas como a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e a conhecer estranhos como Tyler Durden (Brad Pitt). Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.
 
Acho que nenhum filme me tocou como este. É lamentável ver, às vezes, pessoas se referindo como "só de violência" a esta obra-prima da sétima arte. Li o livro e achei maravilhoso; talvez a única coisa que o filme deva seja o final que é um pouco inferior ao do livro, mas fora isto, é um filme capaz de mudar vidas, sem exagero. Uma das melhores críticas que já conheci ao modo de vida consumista da maioria das pessoas que deixam de viver para trabalhar e comprar coisas inúteis, sendo durante toda a vida escravos deste capitalismo reacionário, onde somos valorizamos pelo que possuímos e não pelo que somos por dentro.

1 - V de Vingança

"Um símbolo sozinho pode não representar nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um pais"


V de Vingança é um filme de drama e ação de 2005, dirigido por James McTeigue e produzido por Joel Silver e pelos irmãos Wachowski, que também escreveram o roteiro. É uma adaptação da série de quadrinhos de mesmo nome de Alan Moore e David Lloyd. Sinopse: Em uma Inglaterra do futuro, onde está em vigor um regime totalitário, vive Evey Hammond (Natalie Portman). Ela é salva de uma situação de vida ou morte por um homem mascarado, conhecido apenas pelo codinome V (Hugo Weaving), que é extremamente carismático e habilidoso na arte do combate e da destruição. Ao convocar seus compatriotas a se rebelar contra a tirania e a opressão do governo inglês, V provoca uma verdadeira revolução. Enquanto Evey tenta saber mais sobre o passado de V, ela termina por descobrir quem é e seu papel no plano de seu salvador para trazer liberdade e justiça ao país.

Um dos filmes mais lindos e inspiradores já feitos, talvez o mais! Com referências e citações de Goethe, Shakespeare, Alexandre Dumas, entre outros, o filme critica os regimes totalitários, o poder do medo como arma de manipulação, o preconceito, religiões, a influência da mídia e a submissão da população. O protagonista V, é um idealista que acredita em um mundo novo e melhor e dedica-se a lutar por isto, e a inspirar a população a também buscar este mundo de liberdade. Grandiosa obra de arte!